Computador preservado no Museu Histórico
Componentes do primeiro equipamento de Londrina, da década de 1970, foram doados à instituição
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Componentes do primeiro equipamento de Londrina, da década de 1970, foram doados à instituição
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

O primeiro computador de Londrina foi trazido e colocado em funcionamento no dia 10 de outubro de 1970. Com memória de 264k e fabricado com circuitos em ouro, o equipamento custou aproximadamente US$ 400 mil dólares e ocupava uma sala de 54 metros quadrados. Foi desativado em 1977.
Agora, parte dessa história poderá será vista no Museu Histórico Padre Carlos Weiss, que recebeu componentes desse computador, doados pela empresa Exactus. .Entre as peças estão uma IBM 129, uma perfuradora de cartões rígidos. Esses cartões continham informação digital representada pela presença ou falta de furos em posições predefinidas (linguagem binária). Há também um disco rígido IBM 3350, lançado em 1975 e colocado no mercado no ano seguinte e que permaneceu em fabricação até 1994. Outro equipamento doado foi um modem fabricado pela própria empresa.
A professora Edméia Aparecida Ribeiro, diretora do museu, destaca a importância da doação para salvaguardar a história de Londrina. “Essa doação possibilita mostrar a história da tecnologia, o que veio para a cidade e que ajudou no seu desenvolvimento. É a modernidade sendo representada a partir destas peças que vieram para nós”, declara. “O museu é também um espaço para a pesquisa. Com mais desses itens salvaguardados aqui possibilitamos que pesquisadores e pesquisadoras entrem em contato com o início da informática”, acrescenta.
Ribeiro confessa que não tinha ideia de como eram esses componentes. “O que me encantou ou espantou é que são somente algumas peças. Fico imaginando o tamanho do espaço que era ocupado por esse primeiro computador, se somente o disco rígido era deste tamanho (cerca de 70 cm de altura por 50 cm de largura), que gravava muito menos que o meu celular. O que antes precisava de uma sala e agora cabe em um celular com 10 centímetros de comprimento”, compara.

REVOLUÇÃO
Antes do advento da computação, os escritórios das empresas possuíam arquivos de metal, máquinas de escrever, calculadoras mecânicas, papel carbono e memorandos. A maneira como esses dados eram processados teve uma reviravolta com o surgimento de mainframes, que eram computadores enormes, pesando centenas de quilos e trancados em salas refrigeradas. Londrina entrou na era dos mainframes com em 1970 com a aquisição pela Exactus do computador IBM 360/20-2030-4, com CPU (Unidade de Processamento de Dados), leitora, perfuradora, três discos rígidos e impressora. O equipamento era usado no setor de contabilidade.
O gerente comercial da Exactus, Claudemir Garcia, ressalta que a empresa é precursora em trazer para o Paraná esse computador, que só existia na Celepar e na própria IBM. Do momento em que a empresa planejou comprar o equipamento até colocá-lo em operação foram três anos.
“Quando houve a intenção de trazer o equipamento estamos falando de 1967. Foi nesse período que os empresários Romeu Demattê, com os sócios Florêncio Muniz e Heitor Bertin, iniciaram os trâmites para trazer a máquina. O investimento, de US$ 400 mil dólares, trouxe à Exactus um computador usado", relata Garcia.
“A empresa teve de ter envolvimento político, autorizações, pois estávamos importando tecnologia para o Brasil e isso envolve trâmites legais. Tivemos de ir para Brasília, e precisamos aprender a trabalhar com legislações específicas para fazer a importação. Depois da porta aberta, a evolução também veio junto”, destaca Garcia. Esse mainframe era semelhante a alguns dos equipamentos utilizados pela Nasa e que foram usados no envio de uma tripulação à lua, em 1969.
Sobre o disco rígido doado ao museu, ele explica que o modelo é um IBM 3350. “Era uma coisa estrondosa. Foi a evolução do papel para o meio digital. Nesse intervalo ainda tivemos o DAT (Digital Audio Tape), que era semelhante a fitas cassete. De lá para cá tudo vem se miniaturizando cada vez mais e com maior capacidade”, destaca.

“É interessante falar de tempo já que em um curto espaço de tempo a tecnologia desenvolveu muito. Não é como muitas áreas, em que a evolução é mais lenta. A informática vem ao encontro da necessidade do ser humano. Estamos tentando acompanhar essa tecnologia”, destaca o gerente comercial. .
Ele enaltece que o importante é entender o fato histórico. “Quando a gente conhece a nossa história, ela nos dá a base para a estudarmos. Assim entendermos para onde está indo e qual será o seu futuro. Eu aconselho as pessoas a frequentarem os museus”, destaca.
SERVIÇO - O Museu Histórico de Londrina fica na rua Benjamin Constant, 900, área central; fone (43) 3323-0082


