Curitiba - A polícia apreendeu ontem um computador que pertence a Juliano Todeschini de Andrade, 26 anos, principal suspeito de transmitir e-mails contendo endereços de sites pornográficos e de comércio de drogas utilizando o servidor da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com um mandado de busca e apreensão, investigadores da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública estiveram ontem na casa do rapaz, localizada no Bairro Água Verde, em Curitiba, mas familiares informaram que ele está no Rio de Janeiro.
O computador apreendido vai passar por uma perícia para confirmar as suspeitas. O delegado Guaraci Joarez Abreu adiantou que investigações preliminares dão conta de que os e-mails citados constam no equipamento. A polícia chegou até Todeschini Andrade e não Júnior, como a Folha noticiou ontem por meio de uma denúnica da própria CNBB. Ele teria invadido o servidor da entidade, para repassar as mensagens virtuais.
A CNBB enviou nota oficial ontem informando que em junho, a entidade foi notificada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) que o seu servidor tinha sido usado para o envio de mensagens não autorizadas. ''Tais mensagens traziam conteúdo que apontavam para site pornográfico e também texto fazendo alusão a algum tipo de entorpecente'', confirma a nota. Segundo informações da entidade, assim que a situação foi identificada, a polícia foi acionada para maiores providências.
Anteontem, Andrade foi identificado como sendo o principal suspeito de enviar os e-mails. Ele é ex-aluno do curso de Engenharia Civil da PUC-PR e teria utilizado a senha concedida a todos os alunos da universidade para ''invadir'' o servidor. No dia em que isso ocorreu, o servidor da PUC estaria em manutenção e a universidade estaria utilizando o servidor da CNBB, o que explicaria a identificação das mensagens como sendo da entidade.
O analista de sistema Luciano Padilha de Oliveira confirma que isso é possível e explica que a prática é utilizado pelos hackers (piratas de computador) e também para envio de spam (mensagens enviadas sem autorização). Ele alerta, no entanto, que ainda não exite um mecanismo de proteção eficiente para coibir esse tipo de prática.
O acusado tem até o final dessa semana para comparecer à delegacia, caso isso não aconteça, pode ser expedido um mandado de prisão temporária. Até o final da tarde de ontem, o advogado do rapaz ainda não tinha entrado em contato com a delegacia.

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