Computação gráfica esclarece crime cometido em camburão
Computação gráfica esclarece crime cometido em camburão
Há dois anos, os sofisticados equipamentos e programas de computação do Laboratório de Fonética Forense começaram a ter uma nova função. Algumas das fitas que vinham até nós para que investigássemos os sons eram de vídeo. Ou seja, elas também continham imagens, diz Molina.
Logo ele descobriu que estas imagens eram auxiliares poderosas na elucidação de alguns casos. Decidimos chamar especialistas em computação gráfica para trabalhar conosco, conta. Hoje, o laboratório inclui esta nova área de investigação e pesquisa - a Interpretação de Imagens. Já produzimos alguns resultados importantes, como o da Favela Naval ou a comprovação de que Suzana Marcolina era realmente mais baixa que Paulo César Farias, afirma.
Mas um trabalho recente, concluído no início deste mês, é o que mais o fascina. No ano passado, um ex-informante da polícia foi morto em São Paulo depois de executar uma verdadeira performance, que durou mais de uma hora, no terraço de seu apartamento.
O prédio foi cercado pela Polícia Militar e as cenas filmadas por várias emissoras de televisão. O desfecho durou alguns segundos. Três policiais invadiram o apartamento e dispararam quatro tiros. O homem caiu na sacada, foi retirado rapidamente da frente das câmaras e minutos depois chegava morto ao hospital.
Segundo os policiais, ele morreu durante a invasão. Mas a promotoria desconfiou desta versão e tinha razões para isso. Havia inúmeros indícios de que o ex-informante fora executado sumariamente, como queima-de-arquivo. Com base nos detalhes obtidos pelas fitas de vídeo, pela perícia feita no local e pelos sons dos disparos, conseguimos reproduzir através da computação gráfica cada detalhe daquilo que ocorreu dentro do apartamento no momento da invasão, esclarece Molina.
Primeiro, foi feito um espectrograma dos sons dos disparos (figura 1), onde os especialistas identificaram três tipos de registros de tiros: calibre 12, revólver 38 e pistola HK. Depois, levando em conta o momento dos disparos, a posição dos policiais dentro do apartamento e a posição do corpo caindo, foi possível estabelecer com precisão a região do corpo onde cada bala o havia atingido e de qual revólver o projétil havia saído (figuras 2, 3 e 4).
Ocorre que dos quatro tiros disparados dentro do apartamento, apenas dois atingiram a vítima. E conseguimos mostrar que estes dois tiros o haviam atingido na perna e nas nádegas. Portanto não foram os tiros que o mataram. Ele foi executado com dois tiros no peito, disparados por uma pistola HK. Isso certamente aconteceu dentro do camburão, a caminho do hospital, sentencia. (P.S.M.)





