Compristas denunciam ação policial
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segunda-feira, 10 de novembro de 1997
Cascavel 
Um grupo de 22 compristas de Minas Gerais (MG), que retornavam de Ciudad de Leste (Paraguai), em um ônibus da empresa Imperial, denunciou na noite sábado de que quatro agentes da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel pediram R$ 5 mil para liberar o ônibus, apreendido em um posto de gasolina na BR-277. Os compristas fizeram a denúncia a auditores do Tesouro Nacional e ao procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três.
Cópia do depoimento de um dos compristas, José Renato Fernandes de Souza, 40 anos, de Coronel Fabriciano (MG), obtida pela Folha, relata que o ônibus foi seguido por um carro Quantum da Polícia Civil, a 10 quilômetros deCascavel, e, ao encostar em um posto de gasolina, um dos policiais determinou ao motorista, identificado apenas como Modesto, que levasse o coletivo a 15ª SDP, onde os agentes conversaram em separado com o guia, Milton.
O guia disse aos compristas que os policiais haviam pedido R$ 5 mil para deixá-los seguir viagem, mas aceitariam R$ 2 mil e mercadorias como telefones celulares e uísque. Os compristas só conseguiram juntar R$ 1,46 mil, o que não foi aceito pelos policiais. José Renato Fernandes de Souza pediu então para ser levado ao caixa eletrônico 24 horas, para sacar mais R$ 500,00.
Segundo o depoimento, um agente entrou na Delegacia e ao retornar disse que ligou ao delegado e que o mesmo não autorizou que o levasse ao caixa eletrônico. Depois disso, não houve mais diálogo, e o ônibus e os compristas acabaram sendo conduzidos à Receita Federal, onde foi constatado que apenas dois dos compristas, Sidney Mattos e Juliana Martins, tinham mercadorias em excesso, em relação ao permitido para compras no Paraguai, sendo lavrado flagrante por contrabando.
O procurador da República, Celso Antonio Três, tomou depoimento de vários compristas (que foram liberados para seguir viagem) e tentou a identificação dos policiais acusados, cujos nomes não aparecem no depoimento. A Folha não conseguiu falar com o procurador ontem.


