Compras provocam caos na fronteira
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Montezuma Cruz 
Fila tripla, motoristas oportunistas em todas elas, calor de quase 40 graus e total desorganização transformaram num caos a fronteira Brasil-Paraguai, ontem, entre 10h30 e 14 horas.
Nos dois lados houve engarrafamentos provocados também por carros velhos avariados, cujos donos teimam em circular, apesar de constantamente advertidos pela Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e departamentos de trânsito.
Somente no lado paraguaio estima-se que ficaram retidos na fila tripla cerca de 800 veículos, entre 11 e 13 horas. Há tempos não se via cena semelhante na região.
O movimento no comércio de Ciudad del Este começou a crescer no sábado, com a chegada de aproximadamente 600 ônibus. Nos últimos dois dias, mais de 400 ônibus levaram ao país vizinho cerca de 16 mil sacoleiros em busca de mercadorias para revender antes do Natal.
O tempo médio gasto por carros e ônibus no cruzamento da Ponte da Amizade, no sentido Ciudad del Este, durou em média duas horas, incluindo o tempo gasto entre as lojas, estacionamentos e a área aduaneira paraguaia.
A 300 metros dali funcionou o vai quem pode, tradicional jeitinho paraguaio, do qual os brasileiros também se aproveitam. Espremidos, os carros enfileirados na fila do meio só avançam 20 metros a cada 15 minutos.
Às 13h30 quase não havia ônibus no sentido Ciudad del Este. Havia, sim, uma fila de táxis paraguaios com aproximadamente dois quilômetros, passando além do viaduto da confluência das avenidas Juscelino Kubistschek de Oliveira e Tancredo Neves. Patrulheiros rodoviários federais orientaram o movimento de descida na BR-277.
Expectativa Com estoques renovados e uma variedade de ofertas de produtos, comerciantes árabes, chineses, coreanos, palestinos e hindus recobram o ânimo e esperam movimento ainda maior, a partir de hoje. Em anos anteriores, em apenas um dia desembarcavam em Foz do Iguaçu entre 15 mil e 20 mil pessoas.
Se cada comprista levasse apenas a cota de US$ 150,00, o comércio paraguaio teria faturado US$ 10 milhões entre sábado e ontem, tomando-se por base o total de aproximadamente 60 mil sacoleiros que chegaram à fronteira no período, viajando em 1.200 ônibus de excursões. Na verdade, poucos sacoleiros levam somente o que a cota permite e as vendas são até seis vezes maiores.
Representantes de segmentos turísticos de Foz têm reiterado suas queixas ao Comitê de Fronteira Brasil-Paraguai, sobre o excesso de licenciamento de táxis em Ciudad del Este. Somando-se os daquele município com os vizinhos, de Presidente Franco e Hernandárias, eles já totalizariam perto de 5 mil carros.
Integrantes do comitê consideram que, com esse número excessivo de veículos, fica impossível o trânsito fluir normalmente na área da ponte, especialmente em dias de grande movimento. A última queixa foi registrada em ata pelo comitê, durante reunião bilateral presidida pelo embaixador Fernando Carvalho, em Foz.
Corrupção Até agora, a fiscalização da Receita Federal está normal na zona primária e no Posto Bom Jesus, em Medianeira (60 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu). No entanto, os sacoleiros estão se queixando dos patrulheiros rodoviários federais, que estariam exigindo dinheiro deles para não informar à Receita sobre o contrabando.
O comando da Delegacia 7.5 da PRF em Foz explicou que só toma medidas quando existe flagrante. Sem isso fica difícil averiguar qualquer denúncia.


