Compras e visitantes não dão férias a Londrina
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domingo, 18 de janeiro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O ano de 2004 começou bem para os mais afoitos em trocar a moeda nacional pela norte-americana, que nas últimas semanas tem registrado mais movimento de queda que de valorização. Em Londrina, o reflexo desse panorama tem se refletido no maior número de pacotes de viagem para o exterior, cuja estimativa de venda para este mês é 30% superior à do mesmo período no ano passado. Quem afirma é a delegada regional da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Flávia Reis.
Contudo, apesar do clima de otimismo no setor de turismo e das férias de verão chamando muita gente para as praias ou para o interior, nem sempre a condição financeira não raro, prejudicada pelas compras do Natal ou pelos impostos de início de ano garante o privilégio das viagens a boa parte da população. Aliado esse fator ao fato de a cidade receber também a visita de habitantes da região e até de outros estados, a agitação deste mês pouco deixa a dever à do decorrer do ano, seja na economia ou mesmo em áreas como o lazer e o entretenimento. E nem é difícil perceber isso basta um pouco de vontade de sair de casa e uma dose de coragem para enfrentar o calor escaldante.
Que o diga a família da dona de casa Caíze de Carvalho Queiroz, 25, que compareceu em peso a uma matinê de cinema depois de um giro por um dos shoppings da cidade. Trouxe meus filhos (entre os quais, um bebê de oito meses) junto com a cunhada e o marido dela, mais meus sobrinhos e minha sogra, todos de Jacarezinho. Já que no Zerão a criançada se diverte só no fim de semana, e como o dinheiro não é suficiente para viajar, o jeiro é buscar alternativas, recomendou.
Fora do cinema, um grupo de amigos substituiu as longas filas e os baldes de pipoca pelo chope gelado, sentados em uma mesa da praça de alimentação. Prefiro ficar em Londrina em janeiro e viajar fora de época, pois meu emprego não permite essas idas à praia de início de ano, comentou o empresário Lauriston Frank Ferreira, 33. Para seu colega, o funcionário público federal Kleber Santana, 34, a motivação financeira também falou mais alto. A situação hoje não permite mais que as pessoas passem 20, até 30 dias fora. O jeito é se divertir com o que se tem à mão, disse, segurando o copo.
A poucos metros dali, a professora Helena Freitas, 50, aproveitou o fim do vestibular da filha para conhecer melhor a cidade. Mas não só isso. Enquanto ela estuda, eu passeio e ainda faço umas comprinhas, admitiu.
Fora do ar-condicionado do shopping, a movimentação do janeiro londrinense se repete também no Calçadão da Avenida Paraná, nas lojas da redondeza ou mesmo no Shopping Popular, na Rua Sergipe. Também de visita a Londrina, a professora Maria Luiza Pereira, 35, de Ivaiporã, aproveita o check-up no médico para pôr as compras em dia. Venho com minha família, almoçamos, passeamos pelo comércio à tarde e ainda sobra tempo para pegar um shopping à noite, apontou, animada.
Compras para uns, trabalho e última alternativa para outros. É assim que o casal de namorados Adriana Barbosa, 26, e Alan da Fonseca, 24, encara a temporada de verão na cidade onde moram. Estou desempregado e com o calendário de aulas terminando só agora, devido à greve de 2001 na faculdade, disse ele, que é estudante de Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atendente, e sem férias agora, Adriana reconhece que o jeito é não sair da rotina. Mas ela arrisca uma dica: Impossível falar que não se pode ir sequer a uma pizzaria. Basta disposição.


