Afinal, quem não gosta? E quem admite? No caso do executivo de vendas Edson Wander Santos, 27 anos, a vergonha passa longe ao afirmar: sim, é um genuíno e confesso integrante da geração shopping center.
A mania pelas compras data da infância. ''Desde criança, eu adorava ver vitrines e vestir tudo que era novo. Era calça nova, tênis da moda, as pessoas acabavam me elogiando e me copiando. Isso servia de estímulo'', recorda.
Para se manter atualizado, Edson, que trabalha em um shopping da cidade e já faturou, em eleição interna, o título de o ''mais bem vestido'', lança mão de um arsenal: revistas, videotapes de desfiles e viagens às semanas de moda compõem o périplo em busca do fator novidade.
Diante de tamanho esforço, estranho seria não perguntar o que o executivo de vendas mais tem, em seu closet. ''Camisas pólo, aos montes, cuecas, faço coleção e calças jeans devo ter umas 170''.
Edson faz questão de ressaltar: a paixão por comprar jamais o levou ao cartório de protestos. É de sua propriedade um porquinho, daqueles de desenho animado mesmo, em que, sempre que possível, deposita suas economias. O executivo compra onde trabalha, também nas lojas de amigos - tem até caderneta - e, em especial, quando viaja.
Por falar em viagem, a situação mais inusitada relativa à sua mania foi vivenciada recentemente em Milão, a Meca da moda, na Itália. ''Queria uma pólo que só tinha no meu tamanho e o vendedor estava mostrando a outro cliente. Não tive dúvidas: pulei no vendedor e o derrubei''.
O resultado de tamanho empenho? Edson ficou com a pólo e, de lambuja, com outros itens nos quais estava de olho. ''Foi a maior loucura que fiz. O vendedor caiu e eu não sabia falar italiano. Gesticulando, consegui expressar que queria aquela pólo. Mas valeu a pena, afinal, tinha deixado de sair vários finais de semana em Londrina e passava reto pelas vitrines daqui para economizar e ir à Europa. Bendito porquinho!''.(T.N.)

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