Comprando sem limites
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de janeiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Sair do controle diante de uma vitrine, comprar objetos desnecessários, estourar o limite do cartão de crédito e se afundar em dívidas. Estas etapas fazem parte da vida de quem tem compulsão pelas compras, chamada de oneomania. Quem sofre com isso não consegue voltar para casa sem uma sacola a tiracolo. As cenas, muitas vezes motivo de piada, não são engraçadas para o doente e sua família.
Conforme a psicóloga londrinense Patricia Brinholli Lebois, na maioria das vezes é difícil reconhecer quem sofre do problema. ''Quanto mais dinheiro a família tem, mais complicado é para diagnosticar esta situação; mas a compulsão existe em todas as classes'', afirmou.
Segundo ela, o comprador compulsivo não tem prazer no objeto da compra, mas sim no ato de comprar, por isso muitas vezes adquire produtos desnecessários. ''Dependendo do grau de oneomania a pessoa pode chegar a comprar 200 pares de sapatos ou 20 blusinhas do mesmo modelo de cores diferentes'', exemplifica, explicando que algumas pessoas têm sintomas físicos antes de comprar, como taquicardia, sudorese e agressividade. ''Na hora da compra a pessoa sente um prazer instantâneo que depois passa. É como qualquer outra compulsão'', destacou.
As principais características dos compradores compulsivos são ansiedade exacerbada e baixa autoestima. ''O índice entre as mulheres é maior, não se sabe o motivo. Alguns psiquiatras e psicanalistas acham que é cultural, que este é um incentivo que vem desde criança, mas também tem a questão de que a mulher é mais sensível e precisa de mais atenção'', disse.
Segundo a especialista, esse comportamento compulsivo está relacionado a uma insatisfação que pode ser no relacionamento amoroso, profissional ou com o estilo de vida. E as pessoas buscam preencher este ''buraco'' de alguma forma. De acordo com Patrícia, para identificar o que há por trás da compulsão é necessário uma consulta e analisar a história do paciente. A psicóloga lembrou, que depois da compra, o sentimento é de angústia e arrependimento.
Segundo Patrícia, em alguns casos, a pessoa compulsiva percebe que há algo errado e procura ajuda. ''Dá para tratar com psicoterapia; alguns profissionais acreditam que a compulsão tem a ver com transtorno bipolar, em alguns casos é necessário utilizar medicamentos para diminuir a ansiedade'', relata. ''Às vezes a pessoa já tem um quadro de depressão, não dá conta de lidar com alguma mudança da realidade e surta, compra inúmeras coisas.''


