Na fila de mais de 60 veículos, de caminhões baú a modestas kombis, placas de vários municípios do Paraná, do interior de São Paulo e, indo mais longe, até do Mato Grosso do Sul. São compradores que viajam mais de 400 quilômetros para abastecer seus mercados. Na fila do Ceasa, há grandes redes de supermercados, atravessadores que vão revender as verduras pelo caminho e até donos de pequenas quitandas e mercearias.
Comprar bem exige macetes. Um deles é chegar cedo na fila para garantir um bom lugar para estacionar os caminhões. O horário de comercialização do Ceasa é rígido e proíbe qualquer entrega antes das 16 horas. Quem for pego comprando e vendendo antes da hora é multado.
Antes das 15 horas os caminhões dos compradores não podem nem entrar dentro do pátio que cerca a Pedra. Quem compra reclama do rigor, mas resigna-se. ''O melhor era chegar e ir comprando, mas fazer o quê?'', diz Henrique Jaskin, 59 anos, proprietário de um mercado em Palmital, a 400 km de Londrina.
Para abastecer seu estabelecimento ele sai cedo de casa, às 4 horas. ''É bom chegar cedo porque aí você consegue estacionar o caminhão na sombra'', diz com experiência de oito anos de Ceasa. Segundo ele, apesar da distância, vale a pena comprar na unidade. ''Antes a gente comprava na capital mas lá tem muita mercadoria que vem de São Paulo e aqui tem mais produtores, dá para pegar preço melhor e coisa mais fresca'', argumenta.
No Ceasa ele faz o que o pessoal chama de compra completa, ou seja, todos os ítens de uma boa quitanda. De modo geral, ele já tem produtor certo para comprar.
Enquanto não dá a hora de comprar, o jeito é improvisar uma soneca dentro do caminhão para descansar para a viagem de volta que vai tomar boa parte da madrugada. Depois de chegar e descarregar a mercadoria, dois ou três dias depois, a saga dos compradores continua. A deles e a dos carregadores que acordam de madrugada, dos agricultores que tiram os produtos da terra para que todo dia tenha alface, batata, cenoura ou que o consumidor quiser levar à mesa. (A.S.)

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