Se os apartamentos de Curitiba têm problemas de insolação, parte da responsabilidade é do próprio mercado. Esta é a avaliação do diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), Roberto Valente, que responde as argumentações do professor de Conforto Ambiental da UFPR, Aloísio Leoni Schmid, divulgadas na última terça-feira na Folha. Schmid criticou a ocupação exagerada nas zonas estruturais da cidade, que estariam causando bolor em alguns apartamentos.
Para o empresário, é o consumidor que deve deixar de comprar o produto ruim, forçando a construtora a mudar o processo. ‘‘Hoje, a demanda nas regiões das zonas estruturais é muito grande e as construtoras atendem essa necessidade, mas sempre buscando a melhor solução’’, diz. Valente diz que a responsabilidade dos apartamentos serem mal iluminados não pode recair apenas nas construtoras, como argumentou o professor. ‘‘As centenas de engenheiros e arquitetos que trabalham no mercado atuam de maneira engessada, por causa da legislação’’, comenta.
Segundo o empresário, os paredões de prédios que existem em ruas, como a Sete de Setembro, foram provocados pela lei de zoneamento e uso de solo. ‘‘Foram os construtores que pediram a mudança da lei de zoneamento’’, afirma Valente. Ele conta que a diminuição do potencial de construção, ocorrido em 1991, atendendo o pedido das empresas.
O diretor do Sinduscon afirma que hoje é difícil seguir os parâmetros que o professor defende de reduzir as áreas de ocupação. ‘‘Os loteamentos existentes impedem grandes alterações no projeto’’, diz. Hoje, os lotes medem em média 12 metros de frente por 30 de fundo.
Roberto Valente defende que a nova lei de zoneamento estabeleça uma relação entre recuo e altura do edifício.

mockup