Comprador ético é resposta para frebe consumista em todo o mundo
Da Redação
Depois dos trabalhos e debates das instituições oficiais a 1ª Semana Nacional do Consumidor, que se encerra hoje em Curitiba, abriu espaço para as entidades civis. Na manhã ontem, a presidente do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini, falou sobre o cenário mundial atual e as perspectivas de comportamento do consumidor brasileiro. Como transformar o consumidor-consumista em consumidor-cidadão, mais consciente, ético, ativo e crítico, que pense no coletivo? indagou a presidente do Idec.
Marilena respondeu dizendo que um bom caminho é recusar produtos feitos com mão-de-obra escrava ou infantil. Ela criticou o consumismo ditado pelas marcas e etiquetas famosas: A inversão de valores é tão profunda que, hoje, para serem aceitas no grupo, crianças matam nas ruas para roubar um par de tênis de marca famosa, lamentou. Dentro deste contexto, a cidadania apenas acontece pela inserção da pessoa no mercado.
De acordo com Marilena Lazzarini, o modelo econômico neo-liberal colocou muita coisa de ponta-cabeça. De um lado, é o Estado querendo que algumas ONGs assumam atuações próprias e inerentes ao próprio Estado. Como, por exemplo, os setores de saúde, educação e segurança. E, de outro, a tendência por uma participação cada vez menor do Estado. O resultado demonstra que o neo-liberalismo está eliminando progressivamente alguns direitos já adquiridos pela população.
Cada vez mais, os organismos internacionais, as multinacionais, dão as diretrizes. A soberania nacional começa a ser colocada em xeque. Qualquer atitude isolada para proteger o mercado interno é considerada como uma barreira econômica, argumenta. Nesse raciocínio, ela defende a participação política mais relevante das organizações não governamentais.
E quer, também, maior transparência na gestão econômica e social, na busca pela qualidade dos produtos, por melhores preços, pelo meio ambiente e na garantia de acesso aos serviços e aos bens sociais.
Outros avanços em favor dos consumidores foram citados pelo representante do Ministério da Justiça, Nelson Lins de Albuquerque Júnior. Ele destacou a criação, ainda neste ano, de um cadastro nacional com a listagem dos maus fornecedores para alertar e ajudar a população. Anunciou que dentro de 30 dias, o país terá critérios para as exigências de qualidade e rotulagem de alimentos transgênicos e uma maior transparência e segurança nas relações contratuais para um mercado mais saudável.





