Compra do frigorífico está para ser formalizada
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Paulo Pegoraro 
O grupo Macri, da Argentina, deve formalizar nos próximos dias a compra das unidades do grupo catarinense Chapecó, entre elas o frigorífico de frangos de Cascavel, inativo desde o início do ano passado, o que gerou grave crise entre fornecedores de frango do Oeste paranaense. A informação foi recebida na noite de anteontem pelo secretário estadual da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, repassada a um grupo de avicultores que ocupa a sede administrativa da empresa desde a quinta-feira.
A Chapecó, com unidades em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, acumula dívidas estimadas em R$ 330 milhões, o dobro de seu patrimônio. Em Cascavel, o frigorífico abatia cem mil cabeças de frangos ao dia, gerava mil empregos diretos, e era abastecido por 486 aviários, implantados com dinheiro emprestado por bancos. Suspenso os abates, os avicultores, pequenos proprietários, perderam a principal fonte de renda, e hoje se mantém com auxílio mensal de R$ 240,00 e cestas básicas do governo do Estado.
Em protesto, há 110 dias famílias de avicultores montaram acampamento em frente ao frigorífico - transferido depois para a sede administrativa. No dia 17, doze homens e quatro mulheres iniciaram greve de fome, que durou seis dias, até o governador Jaime Lerner (PFL) assumir o compromisso de se empenhar pessoalmente em gestões para a venda da unidade de Cascavel, ou seu arrendamento aos próprios avicultores. O Banestado é credor da Chapecó e dos produtores, que tiveram dívidas congeladas, enquanto a questão não se resolve.
Um dos principais credores é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que representa quatorze instituições que financiaram a Chapecó. Algumas resistiam a um acordo, mas decidiram aceitar um deságio de 60% nas dívidas do grupo. A informação foi transmitida por telefone por diretores do BNDES ao secretário Eduardo Sciarra, quando ele estava com as famílias na sede ocupada, e ao repassá-la aos avicultores, houve comemoração, mas eles permanecerão no local até que seja definida a data para reativação do frigorífico, disse José Lino Bergamin, principal líder das famílias.


