Compra de vagas
em escolas já foi
prática comum
Giovani Ferreira
De Curitiba
A compra de vagas em escolas particulares já foi prática comum em governos anteriores. Quem denuncia é a Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), que recebeu com indignação a iniciativa do governo estadual de locar prédios particulares ou comprar vagas em escolas privadas para atender alunos da rede pública de ensino. Na avaliação do presidente de entidade, professor Romeu Gomes de Miranda, a Secretaria de Estado da Educação está fazendo um ‘‘lobby’’ para beneficiar empresários e colégios particulares.
Essa prática era comum até a gestão do governador José Richa, entre 1982 e 1986. Depois disso o Estado parou de subsidiar o estudo de alunos públicos em estabelecimentos privados. Trata-se de uma tática para que a escola privada possa absorver recursos públicos, denuncia Miranda. O retorno dessas maneiras alternativas, para compensar a falta de salas de aula, foi integramente repudiada pela APP-Sindicato.
Segundo o professor, o Estado possui mecanismos de planejamento eficazes, que conseguem prever com antecedência o aumento da demanda em qualquer região do Paraná. Disse que a definição pela construção das novos escolas, necessárias para atender o excedente em alguns municípios, deveria e poderia ter sido tomada no início do ano passado. Para Romeu Miranda, houve uma falha estratégica da Secretaria da Educação, que irá resultar num gasto extra para o governo.
Para a APP, a secretaria está querendo transferir a obrigatoriedade da manutenção do aluno na escola à rede particular. ‘‘O governo está fugindo à sua responsabilidade constitucional de garantir ensino’’, sentencia. Romeu entende que de maneira gradativa o Estado pretende assumir apenas a parte ‘‘leve’’ do processo educacional, restringindo-se somente ao pagamento da administração para as instituições privadas.
Além do prejuízo financeiro, a APP alerta para um problema educacional e pedagógico. Alunos e professores terão que passar por um transtorno, principalmente com a mudança de endereço, já que os espaços seriam locados apenas para o primeiro semestre, período que a secretaria necessita para entregar as novas escolas.