Apucarana - Terminando o ano letivo, começam as preocupações dos pais quanto à lista de material escolar a ser fornecida pelas escolas para o próximo ano. A principal questão está relacionada aos abusos, especificamente quanto a produtos que não integram o material didático. Outro ponto crucial é a exigência que algumas escolas fazem com relação às marcas dos produtos solicitados e ao lugar onde eles serão comprados.
Para o coordenador do Procon Apucarana, Rafael Silva, os pais devem desconfiar se há itens na lista que não costumam ser usados em sala de aula, como papel higiênico, produtos de limpeza e até caixa de CDs. ''É imprescindível que os pais, ao receberem a lista, questionem a escola para saber se estes materiais terão uso pedagógico, se serão usados em algum trabalho durante o ano letivo'', complementa o coordenador.
De acordo com Silva, algumas escolas têm convênios com livrarias e papelarias, induzindo os pais, através de publicidade ostensiva, a realizar compras nestes estabelecimentos. ''A instituição de ensino não pode fazer uma exigência como esta, uma vez que o consumidor tem todo o direito de efetuar a compra no local que melhor lhe convier'', salienta. Ele cita alguns itens que não podem ser exigidos pelas escolas: papel higiênico, copo descartável, álcool e cartucho para impressora.
Variedade
A vendedora Adelita Jimenes contou que já passou por essa desagradável situação quando o filho Douglas, sete anos, aluno da 2 série, estudava em uma escola particular. ''Chegaram a me entregar uma lista que solicitava álcool e folha de carbono e eu tive que me recusar a comprar por não ter condições financeiras'', detalhou. ''E, mesmo que tivesse, eu não acho certo que os pais se responsabilizem pela compra dessas materiais; quem deve fornecer é a escola e não nós'', ressaltou.
Foram as solicitações por materiais de limpeza, cartuchos de impressora e uma quantidade excessiva de papel sulfite que provocaram indignação dos pais de Monise Prestes, dez anos. A mãe da garota, Marta Aparecida Prestes, contou que era grande a variedade de materiais solicitados e que os alunos nem chegavam a usar muitos produtos pedidos. ''Acho que eles pediam para dar aos alunos que não tinham condições de comprar. Mas, para nós, também não era fácil. Não podíamos continuar gastando tanto'', afirmou. ''Nós reclamamos e a escola deixou livre para que comprássemos o que julgassemos necessário para os alunos.''
Além de acompanhar atentamente o que os alunos irão realmente utilizar, o Procon-PR recomenda fazer um balanço do material que sobrou do ano anterior para verificar a possibilidade de reaproveitamento. E, quando for comprar, a pesquisa pelos melhores preços e pelas melhores formas de pagamento também podem fazer a diferença. ''Se a compra for a prazo, verifique a taxa de juros. Se for à vista peça desconto e nas promoções, verifique a veracidade da oferta'', aconselha o Procon.
Pesquisa que o casal de Sertanópolis (Norte), José Aparecido Rodrigues e Nilza Rodrigues afirmam fazer bem antes das aulas começarem. ''Geralmente, no começo de janeiro, nós já nos organizamos para vir para Londrina e fazer as comprar nas papelarias que já conhecemos e que têm os melhores preços'', explicou o pai de Paola, 10, aluna da 4 série.''Quando a gente vem antes a tranquilidade para a compra é muito maior. Fora que os preços estão mais baixos'', acrescentou Rodrigues. (Colaborou Fernanda Carreira)

Imagem ilustrativa da imagem Compra de material escolar requer cuidados