Chega o Natal e o artigo vira febre em lojas de decoração e de produtos populares. A preços mais ou menos tabelados, com R$ 5 leva-se para casa um cordão com 100 lâmpadas. O enfeite, entretanto, pode dar dor de cabeça para o consumidor já que o produto ainda carece de normas de fabricação específicas. No início do mês, uma adolescente de 13 anos morreu eletrocutada em Ponta Grossa ao mexer no pisca-pisca instalado no jardim de sua casa.
Consideradas produtos não compulsórios pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) as luzes comercializadas no Brasil não têm normatização específica que dê garantia ao consumidor que o produto é seguro. ''Esse tipo de produto não tem obrigação de passar por testes de qualidade'', diz o chefe do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) de Londrina, Marcelo Trautwein.
Assim, a única fiscalização que incide sobre o produto tem relação à sua origem e se as especificações estão em português. As instruções em língua local são obrigatórias e devem ser levadas em consideração na hora da compra, segundo o órgão.
''O que orientamos ao consumidor é verificar se a embalagem tem as informações em português, se nelas constam a quantidade de lâmpadas e a voltagem das mesmas'', argumenta. Outro ponto que deve ser observado, segundo ele, é se as tomadas são feitas de materiais ferrosos. ''O ideal seria o consumidor testar o produto com um imã; plugues com ferro podem oxidar e causar acidentes'', diz.
Quem quiser seguir as dicas vai ter dificuldade. Nas lojas, do centro da cidade, por exemplo, todas as luzes comercializadas são de duas marcas, produzidas aparentemente na China. Nem todas as caixas têm especificações em português, muitas delas vem em inglês.
A dona de casa Iraídes Moltoca Ferrara, 50 anos, comprou duas caixas. Apaixonada por luzes, ela afirma que todo ano compra mas que tem lá suas ressalvas. ''Na minha árvore tem umas 500 lâmpadas mas sempre estou vendo se não está superaquecido, sempre deixo uma tomada só para as luzes e quando saio de casa desligo tudo, não confio muito'', afirma.
Ela mesma afirma que, apesar de nunca ter levado um choque, já levou alguns sustos com o equipamento. ''Até aprender a lidar direito já me assustei com fio arrebentado e os estouros'', afirma. Ela também garante que a qualidade do produto já foi melhor em natais passados. ''Antes os fios eram mais resistentes, hoje são dois filetinhos de nada'', argumenta.

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