Osmani Costa
O prejuízo causado aos cofres da Câmara de Londrina pelo pagamento de equipamentos de informática comprados e não recebidos, em dezembro de 98, foi de R$ 23.441,20, valor já atualizado. A informação foi prestada ontem à tarde pelo funcionário Marcos Palma, coordenador de informática da Câmara, aos cinco vereadores que compõem a Comissão Especial de Inquérito (CEI), instaurada para investigar supostas irregularidades na aquisição feita junto à empresa Easy.
Segundo Palma, o primeiro a depor na CEI presidida pelo vereador Salvador Francisco (PSB), a Easy Comp. Informática não entregou duas unidades de segurança e 42 licenças para operação de programa (Word 97).
O coordenador financeiro da Câmara e responsável pelo pagamento da compra à empresa, Wellington Oliveira, os cerca de R$ 86 mil foram pagos porque haveria um documento da Easy se comprometendo a entregar os equipamentos fantaltes até o dia 15 de janeiro.
‘‘Oliveira alegou que o objetivo foi zerar o caixa, que tinha os recursos, porque o ano estava terminando. E a direção da Casa, que seria mudada depois do recesso de janeiro, não queria deixar dívidas para os novos diretores’’, comentou Salvador Francisco, após o depoimento dos dois funcionários.
No dia 9 de agosto, após o recesso de julho, outros três servidores da Câmara serão ouvidos pela CEI.
Os depoimentos do ex-presidente Adalberto Pereira da Silva (PFL) e do ex-diretor da Câmara, José Roque Salton, os últimos desta fase, estão marcados para 11. O prazo final para a CEI apresentar o relatório sobre o caso é 17 de agosto.
‘‘O ressarcimento do prejuízo aos cofres da Casa, já admitido em plenário pelo vereador Adalberto, ocorrerá em qualquer circunstância. Além disto, o relatório certamente apontará um outro encaminhamento que não seja o puro e simples arquivamento do caso’’, ressaltou Salvador Francisco.
De acordo com ele, são basicamente três os possíveis caminhos a ser apontados pelo relatório final da CEI: solução administrativa, com a punição de funcionários e correção dos trâmites internos para se evitar futuras irregularidades; remissão ao Ministério Público, para novas investigações e responsabilização criminal; e abertura de Comissão Processante para avaliar a suposta falta de decoro parlamentar de Adalberto Silva, que poderia levar à cassação de seu mandato.

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