O uso abusivo de medicamentos excitantes, como os emagrecedores à base de anfetamina, o estresse acumulado, o hábito de fumar e o excesso de álcool são as principais causas de mortes súbitas cardiológicas em pessoas com o coração saudável. De acordo com o cardiologista arritmologista Antônio Nechar Junior, de Londrina, o Brasil registra anualmente 40 mil óbitos de morte súbita cardiológica, quando não houve chance de salvar a vida através de procedimentos médicos.
Além disso, no mesmo período, de 300 mil a 350 mil pessoas morrem em decorrência de outros problemas cardiológicos no País. ''É como se fosse uma guerra por ano'', comparou Nechar Junior, que considera as mortes súbitas o maior desafio da cardiologia. ''A gente nunca sabe onde vai acontecer'', afirmou, lembrando da necessidade de oferecer equipamentos desfibriladores em locais com grande circulação de gente. ''A saúde pública deve focar na oferta do aparelho e no treinamento de pessoas para usá-lo.''
A discussão sobre os riscos cardiológicos que acometem os mais jovens ganhou destaque na mídia por causa da atriz americana Brittany Murphy, que morreu nesta semana de infarto fulminante. De acordo com agências internacionais, a atriz era viciada em analgésicos.
O cardiologista explicou que, em corações saudáveis, o uso de remédios excitantes ou até mesmo as descargas de adrenalina provocadas pelo estresse causam um distúrbio elétrico que pode induzir à parada cardíaca. O consumo excessivo de álcool e o fumo potencializam os riscos, levando à morte pessoas que nunca tiveram problemas cardiológicos. ''É preocupante, porque o número de casos tem sido crescente em corações saudáveis'', disse.
Para Nechar Junior, providenciar mecanismos de relaxamento e lazer para combater o estresse, assim como investir no chamado ''sono produtivo'', de pelo menos 8 horas diárias, são iniciativas fundamentais para prevenir as arritmias que levam à morte súbita.
A prática de esportes também é recomendada, desde que não se transforme em mais um motivo de angústia. ''Os atletas de alta performance, por exemplo, têm um fator de risco alto, pois submetem-se a treinamentos intensos e são muito exigidos, o que também desencadeia o estresse'', explicou.
Pacientes com pressão alta ou que já sofreram infartos são mais sucetíveis ao problema. ''Quem já teve morte súbita na família deve passar por check-up cardiológico anual'', lembrou. De acordo com o especialista, homens sem antecedentes familiares de doenças no coração devem passar por avaliação com caridologista um vez por ano a partir dos 40 anos. No caso das mulheres, o exame anual passa a ser necessário a partir dos 45 ou 50 anos.

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