Londrina - Quem achava que o frio já tinha ido embora, pode se preparar. Uma intensa massa de ar frio que chegou ontem ao Paraná vai fazer a temperatura despencar a partir de hoje. Segundo o Instituto Tecnológico Simepar, nas primeiras horas do dia a mínima será de 2° em Londrina e 0° em Pato Branco, no Sul. Em Guarapuava, onde nevou nos dias 22 e 23 de julho, a temperatura deve ser de -1°, com máxima de 14 graus.
"Deve gear na quinta e sexta-feira em grande parte do Paraná. O fenômeno só não deve ocorrer próximo ao Estado de São Paulo e no Litoral. Ao contrário do que muitos pensam, as temperaturas mínimas ocorrem entre as 5 e 8 horas e não durante a noite", explica o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib. Em Palmas e Guarapuava pode ocorrer novos episódios de chuva congelada ou neve, mas com curta duração.
Segundo o Simepar, não estão previstas chuvas até o meio da próxima semana. Ontem houve precipitação no Sul, Centro-sul e Norte Pioneiro. No Norte, o tempo seco fez com que as chuvas previstas no sábado e na quarta não ocorressem.
As temperaturas voltam a subir a partir do sábado. "Esse é um comportamento típico do inverno, a alternância entre dias mais frios e outros mais quentes. Geralmente as pessoas se lembram do ano anterior e o inverno passado foi atípico, ficando com a temperatura até dois graus acima do normal em alguns lugares", explica o meteorologista.
Kneib ressalta também que entre o final de agosto e a primeira quinzena de setembro pode haver uma nova onda de frio intenso, inclusive com novas geadas.
Insuficientes
Quem sente na pele essa oscilação nas temperaturas são principalmente os trabalhadores de rua. Muitos costumam sair bem cedo de casa e até o sol começar a esquentar, é preciso se manter bem agasalhado. "É gorro, um monte de blusa e a chapa ligada o dia inteiro. Isso ajuda bastante, mas o problema do frio para mim está mais relacionado às vendas, que caem quase pela metade", comenta a vendedora de lanches Marta Dalcólio, que sai de casa diariamente às 6h40.
Para o mototaxista Fernando Farias dos Santos, que atua nas ruas pela manhã e trabalha como vigia à noite, três blusas e duas calças não são suficientes. "Tenho que sair com luvas e touca e passar um creme no rosto porque o vento gelado é terrível", completa ele, que também percebe uma redução no número de corridas. "Cai uns 30% nos dias mais frios. É por tudo isso que prefiro o calor", brinca.
Já o varredor Genivaldo Gomes Trindade, que começa a limpar as ruas centrais às 7 horas, comenta que o mais incômodo do frio é a preguiça. "Mas é só começar a trabalhar que o corpo vai se acostumando. Logo, o sol aparece e ajuda bastante", comenta ele, que usa um chapéu para proteger a cabeça. "Cada um se esquenta do jeito que dá", completa.

Atendimento
O frio castiga também quem não tem onde morar. Nívea Maria Polezer, diretora de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social de Londrina, afirma que ainda não foi feito um balanço dos atendimentos da Operação Noite Fria. E ressalta que as equipes de abordagem social atuam durante todo o inverno, não somente nos dias mais frios.
"As entidades se preparam para esse atendimento que vai de maio a agosto, podendo ser estendido caso haja necessidade. Neste ano foram criadas mais 22 vagas nas entidades de acolhimento, num total de 163", explica.
A diretora afirma também que a participação da comunidade é muito importante, informando as equipes sobre pessoas em situação de rua, para que possa ser feita a abordagem. O contato pode ser feito pelo foneo (43) 9991-4568 ou 9996-3497.

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