Quem estuda a mente e o comportamento humanos aponta que por volta dos sete anos as crianças começam a incorporar as principais estruturas da personalidade que vão lhes garantir ter consciência de seus próprios problemas e dos outros. A especialista em clínica psicanalítica Maristela de Mello Kosinski avalia que as atitudes tomadas pelas crianças abordadas na reportagem têm aspectos positivos e negativos.
É positivo porque, mesmo quando orientadas por adultos, significa que as crianças demonstram consciência de brigar pelos seus direitos. Por outro lado, ela lembra que atos extremos, como atear fogo em pneus e bloquear trânsito, são exagerados. ''Estamos verificando uma intolerância muito grande das crianças, cada vez mais cedo. Elas querem as coisas a qualquer preço e isso é ruim'', aponta. Fruto, segundo a especialista, da falta de imposição de limites da família.
Maristela comenta ainda que, em grupos, as crianças e adolescentes tendem a ser mais influenciadas por alguém que se impõe como uma liderança do que propriamente por algum adulto. ''Elas querem se desvincular dos pais e buscam formar sua própria identidade'', completa.
A escola, segundo Maristela, não deve deixar passar estas oportunidades de discussão com os alunos. '' A escola deve intervir imediatamente, ouvir o que as crianças têm a dizer. Isso é de fundamental importância'', orienta.(L.A.)

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