Comportamento imprevisível coloca vítimas em perigo
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Sabe aquelas cenas de filmes de ação em que o mocinho se agarra na porta do carro em movimento e é arrastado para impedir que o bandido escape? Pois essa cena clichê aconteceu recentemente em Londrina. O personagem, no caso, era a vítima de um assaltante, o aposentado Luis Carlos Rubio, 69 anos, morador do Jardim Shangri-Lá (Zona Oeste). Apesar dos ferimentos, ele diz que não se arrepende da atitude que tomou. Para psicóloga entrevistada pela FOLHA, o modo como a pessoa reage a um crime está relacionado a experiências anteriores.
A cena de cinema envolvendo Rubio se passou nas proximidades da Avenida Tiradentes, à noite, quando ele saiu de casa para buscar a filha no trabalho. O carro, no entanto, pifou e quando Rubio abriu o capô para tentar consertá-lo, o bandido entrou em ação. ''Deixei a porta aberta. Quando fechei o capô não percebi que tinha alguém dentro do carro'', relata. Assim que Rubio saiu da frente do Escort, o assaltante conseguiu dar partida e arrancar.
O aposentado, que já teve um derrame e sofre com uma hérnia de disco, não hesitou e agarrou-se à porta do motorista. ''Fui arrastado uns dois quilômetros.'' Ele não conseguiu se segurar até onde o carro foi abandonado, na Rua Miguel Couto, nas proximidades da esquina das avenidas Tiradentes e Maringá. Ele caiu uma quadra antes e foi socorrido por um morador, que acionou a polícia.
O veículo só sofreu danos na roda dianteira esquerda. Mesmo convivendo com dores constantes, por causa da perseguição, Rubio não se arrepende. ''O carro está aqui, não está?'', destaca. O objeto de desejo do assaltante foi comprado com ajuda de toda a família. E o pior: não tem seguro. Até por isso ele não pensou duas vezes antes de reagir.
Os filhos Luis Carlos e Karina não aprovaram a atitude do pai, assim como a esposa Lourdes. ''Liguei para ele naquela noite, pois fiquei preocupada. Quando ele atendeu e disse que estava numa ambulância e precisava de roupas, eu me desesperei'', declara a mulher.
Lourdes ainda guarda a calça que Rubio usava no momento do assalto. Não sobrou quase nada além de um pano todo rasgado e sujo. ''Ele estava praticamente nu quando o encontraram, com partes das coxas, pernas e pés em carne viva'', acrescenta.
O assaltante não estava armado. Mas se estivesse, Rubio garante que agiria da mesma forma. ''Ele podia estar armado até os dentes que eu ia recuperar o meu carro. Só não dei um soco na cara dele porque tinha medo de que ele trombasse em alguma coisa'', diz.
Defender seu patrimônio, aliás, não é uma atitude inédita na vida de Rubio, No ano passado, o aposentado sofreu uma tentativa de assalto ao sair da Rodoviária. Um ladrão o abordou e mandou que ele ''passasse a grana''. ''Me virei dando um soco na cara dele, que caiu sentado com a boca ensaguentada. O assaltante se levantou assustado e saiu correndo.''


