Para a psicóloga Eliane Belloni, o problema atinge da mesma maneira as escolas públicas e particulares, pois transcende os limites destas instituições. ''A causa do bullying está nesta crise de paradigmas e na banalização da violência que presenciamos hoje em dia. A grande questão é como lidar com isso.''
Ela observa que sempre houve violência na escola, com casos de crianças que humilham outras. A diferença agora é que este comportamento ganhou maior visibilidade e tem sido visto com outros olhos, em função de casos extremos divulgados pela imprensa mundial e pela facilidade de comunicação - via internet - entre as vítimas. ''Há muitos vídeos disponíveis na rede, mostrando adolescentes sofrendo todo tipo de humilhação. Porém, mesmo com esta maior visibilidade que o assunto tem hoje em dia, ainda é pouco.''
A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva concorda: ''Bullying é um fenômeno típico das relações humanas. Agora percebemos mais porque estudamos mais o assunto.'' Aos pais que enfrentam o problema, ela recomenda que, antes de mudar o filho de escola, sejam feitas tentativas de transformar aquele ''micromundo escolar'', como forma de começar a mudar a sociedade.
''Quando eu vou nas escolas falar sobre algum paciente, que é, por exemplo, vítima de apelidos maldosos, geralmente ouço: 'Mas, doutora, é brincadeira!' Se é brincadeira, todos deveriam se divertir. Quando é bullying, um grupo se diverte às custas da humilhação de outros. Se a direção não faz nada e a criança começa a sofrer demais, eu recomendo que ela saia da escola, mas também sugiro que a escola seja acionada juridicamente para pagar o tratamento. Já conseguimos duas vezes.'' (S.L.)

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