Comportamento é pouco considerado
Enquanto as pessoas que conduzem os veículos não mudarem, nunca teremos um trânsito eficiente e menos estressante. Uma buzinada na hora errada, a falta de respeito ao motorista do lado, a desobediência à sinalização... São comportamentos que, com menos ou mais veículos, continuarão ocorrendo enquanto as políticas públicas não considerarem a educação para o trânsito também como uma prioridade, opina o psicólogo e analista de trânsito, Luiz Miura.
''As políticas atuais pouco consideram o comportamento'', critica Miura. Ele garante que mudanças comportamentais também são possíveis de serem alcançadas em poucos meses, desde que haja planejamento e cobrança efetiva. ''Se as campanhas forem devidamente planejadas, bem executadas e acompanhadas de fiscalização rigorosa, em seis meses é possível perceber diferenças. A partir daí, os seis meses seguintes devem servir para consolidação e o reconhecimento de boa parte dos motoristas'', assegura.
Adaptações semelhantes, continua o analista, também podem ocorrer com o transporte coletivo, mesmo que mais lentas. Um morador de uma grande cidade só vai deixar seu carro na garagem se encontrar no transporte coletivo conforto, segurança e agilidade. ''Neste sentido, as adesões são bem mais complicadas porque as mudanças são muito mais lentas e complicadas'', observa Miura.
Em certas situações, as saídas mais eficientes precisam ser impostas. Miura cita como exemplo a não regulamentação do estacionamento rotativo. ''O problema do veículo é que ele ocupa muito espaço. Cada apartamento tem uma ou duas vagas na garagem. Só que as famílias terão mais de dois carros. O excedente será estacionado em espaços públicos, ou seja, é uma pessoa ocupando o espaço de outras. Da mesma forma, o funcionário da loja chega para trabalhar e ocupa a vaga que seria dos fregueses, que não têm onde estacionar.'' (L.A.)





