Comportamento dúbio é comum nessa idade
O psiquiatra Içami Tiba faz uma comparação curiosa para definir os tweens: ''É como um camarão trocando a casca. A criança perde o modo de ser infantil, mas ainda não tem nada para colocar no lugar''. Isto explica, por exemplo, o comportamento dúbio dos quase-adolescentes. A mesma garota que insiste para a mãe comprar um ursinho de pelúcia lindo que viu no shopping pode, minutos depois, usar seu poder de persuasão para convencê-la a deixar sair à noite com as amigas.
A psicóloga clínica e conselheira municipal da Criança e do Adolescente, Wilma Silva Ribeiro, lembra que esta fase que precede a adolescência - que pode ser chamada de subdivisão - sempre existiu. O que mudou nos últimos anos foi o fato das famílias estarem mais atentas para o comportamento dos filhos (até porque hoje eles são em menor número) e a contextualização histórica ser outra, assim como o perfil das crianças, que apresentam uma precocidade até então nunca vista.
Segundo Wilma três fatores principais têm contribuído para esta precocidade: o ambiente externo, com todos os apelos da moda e do consumismo; os componentes dos alimentos industrializados, que estimulam o rápido desenvolvimento hormonal; e as cobranças das famílias, que criam expectativas cada vez maiores em torno dos filhos.
A psicóloga alerta que pais e cuidadores devem estar atentos a comportamentos atípicos para a idade da criança, porque tudo o que se pula hoje, em termos psiquícos, terá que ser retomado um dia, sob o risco da adolescência se prolongar por mais tempo do que o normal. Um exemplo são os homens na faixa dos 30 anos que ainda não saíram da casa dos pais e gastam fortunas com brinquedos de luxo, como os celulares. ''É preciso tomar cuidado para não atender apenas os desejos da criança e esquecer de suas necessidades.'' (S. L.)





