Comportamento canino em evidência
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Aquela frase tão popular de que "o cão é o melhor amigo do homem" tem cada vez mais sentido. Hoje, a maioria da população está apegada a um animal de estimação, em especial os cachorros. Prova disso são os números. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, mostram que a média nacional de cachorros é de 1,8 por domicílio. Sendo assim, temas relacionados à saúde animal vêm ganhando atenção e trazendo ao conhecimento popular assuntos ainda pouco discutidos, como o comportamento canino.
"A maioria das pessoas acha que se o cão está abanando o rabo é um sinal de que ele está feliz. Tem essa e muitas outras crenças que não são totalmente verdade. Conhecer o comportamento do animal vai ajudar a pessoa a se comunicar melhor com ele e, consequentemente, a ter mais controle sobre suas ações", explica Thais Leal, treinadora de cães.
Ela comenta que ainda há muitos tabus em relação ao adestramento e aproveita para reforçar que o sistema punitivo não é uma prática recomendada. "Podemos ainda ter pessoas que utilizam de punição, mas não se aceita mais isso. O adestramento hoje é chamado de inteligente, pois o foco é trabalhar a cognição do animal, a sua base comportamental, observando sinais como as diferentes formas de latido, de abanar o rabo, piscar de olhos, entre outros", acrescenta.
Thais revela ser comum as pessoas a procurarem o treinamento quando o cão já tem muitos vícios. "O ideal é começar o treinamento com dois meses de vida, ainda filhotes. O resultado será mais rápido", afirma, ressaltando que é possível trabalhar com o animal em qualquer fase da vida, independentemente da raça.
Em relação à procura por adestramento, a treinadora reconhece que há queixas comuns em relação aos animais ansiosos, agitados demais. "É quando o proprietário já não tem mais controle sobre o cão e nos procura", completa.
Em todas as aulas, o dono participa 100% do tempo com o animal. São utilizadas inúmeras técnicas, inclusive da área de psicologia, como reconhecimento de ações positivas e negativas. Para esse trabalho, uma equipe de profissionais atua em conjunto. Thais aproveita para orientar que, no dia a dia, deve-se reforçar o comportamento correto. "O importante é criar vínculos porque é a melhor forma de conhecer de verdade o cão. Isso é diferente de humanizar", completa.
AULA ESPECIAL
Na semana passada, alunos da UniFil participaram da Semana de Agrárias dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia. Eles tiveram contato com diferentes modalidades de adestramento de cães para vivenciar uma experiência extraclasse.
Homens do Pelotão de Choque da Polícia Militar mostraram técnicas de proteção e faro, o Corpo de Bombeiros simulou uma situação de busca e resgate e Thais deu palestras juntamente com outros profissionais. Além dos alunos, a comunidade externa também foi convidada a participar. "Tenho dois cachorros e sempre tive curiosidade a respeito de adestramento. Aproveitei esse evento para pegar contatos e buscar informações pelo menos sobre o básico", diz a chef de cozinha Gabriela Madureira Pinheiro.
O evento começou na quarta-feira e se encerrou no sábado. A coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniFil, Kátia Cristina Silva Santos, ressaltou que a temática de adestramento normalmente não tem ênfase entre as disciplinas.
"A ideia foi justamente trazer uma pouco da experiência de atuação desses profissionais como a polícia, bombeiros e treinadores porque trabalhamos com a saúde do animal, mas o adestramento, que está ligado ao comportamento, também nos interessa", conclui.


