Crimes como o de Guarapuava (Centro), onde três meninas, com a ajuda de um rapaz, esfaquearam e mataram uma jovem de 15 anos perto da escola, fazem a sociedade refletir sobre o envolvimento das garotas com a violência. Especialistas ouvidos pela FOLHA confirmaram o crescente envolvimento delas em brigas que vão muito além de provocações e terminam em chutes, tapas e pontapés.
  Márcio Luís Bergantini, promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Londrina, afirma ter percebido o aumento de situações envolvendo meninas. ‘‘Quando pensamos em infrações como um todo, o número maior de problemas envolve os garotos, que sempre brigaram. Mas as meninas estão mais agressivas.’’
  No Conselho Tutelar Norte, a presidente Fernanda Cássia Nascimento Oliveira observou que está havendo maior participação das meninas em crimes e também no uso de drogas.
  A psicóloga e pedagoga Patricia Brinholi Lebois afirma que o comportamento mais violento sempre foi mais ligado ao meninos, mas que isso está se igualando. ‘‘São mudanças socioculturais, as mulheres estão mais inseridas. Antes a mulher ficava em casa, era mais vulnerável.’’
  Outra mudança importante, de acordo com Patricia, é o papel dos filhos. ‘‘Antigamente as crianças eram uma consequência do casamento, não eram o foco principal. Com isso os pais tinham mais autoridade, eram respeitados. Com a reestruturação das famílias, muitos pais passam a fazer de tudo para os filhos, que não aprendem a lidar com a frustração.’’



● O motivo do comportamento das garotas, segundo Cássia, seria conquistar espaço e respeito dentro dos grupos

● Sem aprender a lidar com o ‘‘não’’, os jovens passam a fazer de tudo para ter o que desejam. Por isso, os pais devem impor limites

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