Competição entre jovem e adulto é analisada por psicoterapeuta
O psicoterapeuta Mário Negrão prefere falar em ‘‘competição’’ na relação dos jovens com adultos. Segundo ele, se antes o jovem se enxergava como um pré-adulto, hoje ele se vê como um competidor. ‘‘Seria o primeiro ponto de todo um processo’’, explica Negrão. ‘‘O da mudança de valores. O adulto sempre teve como base a realidade, contra o prazer para o adolescente. E com a invasão da mídia isso ficou ainda mais confuso. O adolescente pensa só no prazer e tem dificuldades na hora de atribuir respeito, o segundo ponto a ser analisado’’.
Na sequência, outro problema ou ponto a ser levantado pelo psicoterapeuta, é o do horizonte de tempo. Ele explica que os adolescentes normalmente entram em crise com o adulto, ou a sociedade, por causa de uma escala diferente de tempo. ‘‘O horizonte dele é muito mais curto do que o de um adulto. Por isso as tarefas a longo prazo são tão difíceis de serem assimiladas. Ele não consegue ver porque é necessário estudar durante tanto tempo. Não consegue ver que é necessário tempo para se conseguir juntar dinheiro. E assim, acaba sempre procurando caminhos mais curtos’’, diz o psicoterapeuta.
O narcismo e a virtualização ocupam o quinto e o sexto lugares, fazendo com que ele sempre queira ser a referência, o centro das coisas. O jovem não consegue entender o problema dos outros. E tudo que acontece na casa, ou na sociedade precisa estar relacionado com ele. ‘‘O que não tem a ver, não interessa’’, complementa Negrão. ‘‘Ao mesmo tempo ele já não sai mais para se aventurar. As coisas vem até ele pelo computador e a televisão. Deixando quase tudo sem uma definição real’’.
Por isso, segundo o especialista é tão importante a concretitude ao se lidar com adolescentes rebeldes.‘‘Tudo tem que ser claro e explícito. Por exemplo, você tem que dizer, que se ele não usar camisinha vai morrer mesmo. Ou que se ele cometer um crime vai realmente preso’’, conclui.(V.A.)

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