Compensar ausência com objetos: risco de desilusão
Crianças que não aprendem limites podem se tornar verdadeiras pestinhas, irreconhecíveis até para os próprios pais. Com a facilidade de informações quase todas elas acabam se tornado consumidoras em potencial, que não medem esforços para conseguir o que querem. Quem nunca viu uma crinça se jogando no chão, gritando e exigindo que seus pais comprem alguma coisa? A psicanalista Leda Fischer diz que para compensar a ausência muitos pais acabam ofertando aos filhos os mais diversos objetos. O problema é que na maioria dos casos, eles servem apenas para ela possuir e não brincar. Para as crianças pode ser a festa mas, segundo a psicanalista, isso pode trazer consequências desastrosas. O imediatismo das respostas ao eu quero coloca as crianças na impossibilidade de antecipar o que virá, de imaginar uma realização possível. Antes que cheguem a sentir que falta algo, já a recebem, diz.
Mas com a proximidade da adolescência, a criança acaba descobrindo que a vida não é tão mágica. E com essa desilusão não é difícil que algumas acabem buscando as drogas como uma forma de continuar encontrando os objetos da infância, que prometiam uma satisfação imediata, afirma.
Para a psicanalista, as crianças modernas têm dificuldade de construir um mundo imaginário que lhes permita treinar o que elas pretendem ser quando crescerem, experimentar suas possiblidades e limites. Para ser grande uma criança precisa brincar, na opinião dela. E a melhor forma, segundo a psicanalista, é que os pais transmitam a seus filhos como eles foram crianças e como brincavam. (A.R.)





