A carona solidária entre moradores de uma mesma cidade fez pipocar dezenas de sites. Os paulistanos promoveram um mutirão de carona solidária no fim de maio diante de argumentos tão persuasivos do governo estadual: 64% dos veículos trafegam somente com o motorista, 90% da poluição da cidade provêm da emissão de gás carbônico dos motores automotivos e a péssima qualidade do ar reduz em até 1,5 ano a expectativa de vida.
A carona, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de São Paulo, pode reduzir o trânsito em 25% na capital. A exemplo de uma das maiores metrópoles do mundo, qualquer cidade pode aderir à moda que pode começar dentro do escritório ou da escola. Segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), Curitiba concentrou em junho 1,067 milhão de veículos, para uma população de 1,797 milhão de pessoas, de acordo com dados do IBGE.
Apesar de números bem menos assustadores em comparação às outras capitais, a cidade já sofre com trânsito em horários de pico, principalmente pelo vai-e-vem de veículos oriundos da Região Metropolitana. No bairro Rebouças, há uma média de três carros por pessoa. O analista de sistemas Roberto Chella, faz parte da turma dos solidários. Todos os dias divide o transporte com mais dois colegas de trabalho. ''Eles moram no caminho da minha casa. É bom para todo mundo e ainda colaboramos com a melhora do trânsito'', avalia.
''É preciso desenvolver um senso de cidadania, no qual cada um tenha consciência de seu papel no futuro do planeta. A carona solidária pode, sim, ser uma realidade no Brasil'', acredita Lincoln Paiva, sócio da MelhorAr, uma iniciativa pró-carona corporativa. A economia também é um ponto a favor. De acordo com a contabilidade de Paiva, um veículo 1.6 que roda em média 18 mil quilômetros por ano, consumindo um litro de gasolina a cada 10 quilômetros, gasta em média R$ 5 mil anuais - sem contar o tempo perdido no trânsito e as despesas com pneus, troca de óleo, revisão, entre outros. (C.P.)

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