Londrina – Caminhões lotados com móveis usados, eletrodomésticos da linha branca e entulhos foram recolhidos pelas equipes terceirizadas da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) nas últimas semanas. A companhia dá suporte às ações planejadas pela Secretaria Municipal de Saúde com o objetivo de evitar uma nova epidemia de dengue em Londrina. Com a limpeza nos bairros, a prefeitura espera reduzir o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, que chegou a 7,4% neste mês. A cada cem imóveis vistoriados, há focos do mosquito em pouco mais de sete. O Ministério da Saúde recomenda que este índice permaneça abaixo de 1%.
O supervisor do setor de Endemias da Secretaria de Saúde, Elson Belisário, informou que os mutirões são realizados sempre aos finais de semana. Na sexta-feira, os moradores são avisados para selecionar materiais que serão descartados. No sábado, agentes de Endemias vão até o bairro para fazer o trabalho de conscientização sobre a dengue. Na segunda-feira, funcionários terceirizados pela CMTU finalizam a limpeza e recolhem os entulhos.
A ação já foi realizada em dois bairros: na Vila Marízia, região central, e no Conjunto Novo Amparo, zona norte. De acordo com o balanço divulgado pela assessoria da CMTU, na Vila Marízia foram recolhidos seis caminhões de entulhos. Mais de 240 mil domicílios foram atendidos de 17 a 20 de janeiro. Três praças, duas áreas públicas e um fundo de vale foram roçados, num total de 21,8 metros quadrados.
Neste último final de semana, as equipes passaram por 775 imóveis do Novo Amparo. Por lá foram recolhidos dez caminhões de resíduos descartados pelos moradores. As equipes roçaram o mato alto em 66 metros quadrados. A ação foi executada em duas praças, sete terrenos públicos e no canteiro central de uma das avenidas. Os materiais recolhidos são levados para a Central de Tratamento de Resíduos, na zona sul, onde passam pela triagem.
Conforme Belisário, a intenção é realizar mutirões frequentes, sempre aos finais de semana, até que haja redução no número de imóveis com focos do mosquito transmissor da doença. "Escolhemos os bairros considerando o índice de infestação e a ação do fumacê. É importante retirar os possíveis criadouros, principalmente, onde o inseticida é aplicado para que tenha efeito", afirmou.

Ajuda
Apesar da realização dos mutirões, os entulhos depositados nos despejos irregulares preocupam a secretaria. "Precisamos da ajuda da população", lembrou Belisário. No Jardim Ideal, zona leste, pneus velhos, restos de materiais de construção e outros itens já fazem parte do cenário visto diariamente pelos moradores. O eletricista Juscelino de Oliveira afirmou que o local só é limpo quando a população reclama. "Tenho um filho de três anos e, várias vezes, já fui até lá para limpar a montanha de lixo. Tem muitas crianças no bairro e a gente precisa evitar a dengue. Eles tinham que cercar isso aí", contou.
Logo após a entrevista, um carroceiro se aproximou para jogar mais lixo no local. O homem, acompanhado de uma criança, disse apenas que precisa descartar restos de materiais de construção usados em uma reforma na própria residência. Após se atrapalhar nas explicações, o carroceiro disse que passaria a jogar os resíduo no Jardim Marabá, também na zona leste. O bairro não possui ecoponto e o despejo também seria feito de forma irregular.
A assessoria de imprensa da CMTU não soube informar quando o local será limpo. A Companhia negocia com a empresa América Latina Logística (ALL) para que os responsáveis pelo transporte mantenham limpas as margens da linha férrea.
Reforço
A Saúde intensificou os trabalhos com a ação de agentes de Endemias e de educadores nos bairros. Além dos 240 agentes, outros 15 profissionais estão em processo de contratação. Equipes também auxiliam os trabalhos nas ruas com a aplicação do fumacê. Dois veículos são utilizados nas ações. A expectativa é que o governo do Estado autorize o uso de mais dois veículos nesta semana.
A prefeitura continua em alerta. No ano passado foram registrados oito casos de dengue com o vírus tipo 4 (três no Jardim Leonor, um na Vila Fraternidade, um na Vila Portuguesa, outro caso no Jardim Ideal, um no Jardim Marabá e um caso importado no Conjunto Armindo Guazzi). Com o novo vírus em circulação, pessoas que já adquiriram a doença podem ser contaminadas novamente. "O risco de epidemia continua alto", reforçou.
Um balanço parcial de 2013 aponta mais de 1,2 mil ocorrências. "Ainda há casos suspeitos que aguardamos os resultados. O número final deve ser divulgado na primeira quinzena de fevereiro", ressaltou. Neste mês já foram confirmados seis casos de dengue.

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