Companhia que ajuda e acalma
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Mie Francine Chiba<br> Especial para a FOLHA 
A cena do pai que desmaia ao presenciar o parto da esposa é velha conhecida de quem assiste aos filmes exibidos na TV. Talvez não aconteça exatamente isso na vida real, mas que um parto é um acontecimento impressionante e que desperta emoções intensas, isso é fato. Por isso, ter uma pessoa querida ao lado proporciona conforto emocional para a futura mãe, o que é essencial neste momento.
Fiquei apavorado. Elas (as mães) sofrem demais. Falei para os meus outros filhos que eles têm que beijar os pés dela todo dia. Dá vontade de empurrar para o bebê descer, contou o eletromecânico Edson Gonçalves de Melo, que assistiu ao parto de sua mulher, a comerciante Eliane Alves Matos, de 31 anos, pela primeira vez.
Eu fiquei apavorada, mas ela me deu bastante apoio.
Eu falava que não aguentava mais, e ela dizia que eu aguentava sim, que todo mundo aguenta, por que eu não?, lembrou Esdra Joice de Macedo, 16 anos, que teve a companhia de sua cunhada, Fabrícia Yuri Sakamoto de Macedo. Mãe de um filho, Fabrícia emprestou um pouco de sua experiência para tranquilizar a jovem parturiente. O mesmo fez a dona de casa Ana dos Santos Beluco, mãe de uma filha. A sobrinha, a estudante Vanessa dos Santos da Silva, de 19 anos, entrou em trabalho de parto às 6 horas e às 13h30 ainda sentia dores e contrações. Ela está me ajudando a ficar calma, afirmou Vanessa, enquanto segurava com força a mão
da tia.
Além do apoio emocional, a presença do acompanhante neste momento que quase sempre vem acompanhado de intensa dor resulta em inúmeros benefícios fisiológicos para a mulher. Pesquisas mostram que a presença de um acompanhante diminui o tempo de trabalho de parto, porque a mulher fica mais tranquila, colabora mais; o índice de cesarianas e uso de fórceps também é menor, enquanto o tempo de aleitamento materno é maior, enumerou a chefe de enfermagem da Maternidade Municipal, Cilene Maria Martins dos Santos.
Regra
Por causa de todos esses benefícios, a presença do acompanhante, que anos atrás era negligenciada nas salas de parto, hoje é regra nos hospitais públicos do País. Aprovada há quatro anos, a lei permite que uma pessoa acompanhe o trabalho de pré-parto, parto e pós-parto imediato. Há um ano, a norma se estendeu aos hospitais particulares por meio de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As gestantes, em geral, já estão mais informadas sobre o assunto, afirma Cilene, mas desconhecem que trata-se de uma lei. Às vezes elas vêm de outras cidades e querem ganhar bebê aqui porque podem ficar com acompanhante e lá não. Até entreguei cópias da lei para elas. Se a maternidade não deixar, a família pode até chamar a polícia porque a instituição estará descumprindo uma lei federal. É um direito das mães, ressaltou.
Geralmente é o marido ou a mãe da parturiente, que já passou por isso, quem acompanha o nascimento do bebê. Mas já tivemos até caso de o pai e o irmão da paciente ficarem, lembrou a chefe de enfermagem. A escolha da paciente tem que ser respeitada. Enfermeiras e médicos orientam que a gestante opte por uma pessoa que irá, de fato, colaborar para um parto bem sucedido.
Quando a dona de casa Ana Beluco tentou acompanhar o nascimento de sua bisneta, diz ela, não estava calma como esteve desta vez, ao lado de sua sobrinha. Eu entrei em desespero e a médica pediu que eu saísse, que alguém ficaria no meu lugar. E aí minha filha entrou, contou. A recomendação é que o acompanhante esteja preparado psicologicamente para poder dar suporte emocional.
Depois de escolhida a pessoa que acompanhará o parto, a equipe médica dá orientações, como segurar a mão da parturiente, incentivá-la com palavras de incentivo, encaminhá-la para o banho quente, caminhar com ela, fazer massagens e estimular exercícios que auxiliam na evolução do trabalho de parto e na diminuição da dor.


