Companhia processa pesquisadora
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Andréa Lombardo<br>De Curitiba 
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) promete acionar judicialmente a pesquisadora do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cristina Braga, por conta dos resultados do estudo, divulgado na semana passada, que acusa a empresa de distribuir água com altas concentrações de trihalometanos em Curitiba e região metropolitana. As substâncias químicas, derivadas do cloro, segundo a pesquisa, poderiam ter efeitos cancerígenos, ao longo do tempo.
Levando em conta os subprodutos do cloro contidos na água, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que ''o risco de se obter um único caso de câncer num grupo de 100 mil indivíduos que bebem dois litros de água diariamente durante 70 anos é extremamente pequeno''.
Os níveis de trihalometanos que envolvem os compostos clorofórmio, bromofórmio, diclorobromometano e dibromoclorometano , segundo as análises da Sanepar, nunca ultrapassaram o limite de 100 microgramas por litro fixado pela Portaria nº 36 do Ministério da Saúde. A variação de trihalometanos na água distribuída na Grande Curitiba ficou entre 11,9 e 87 microgramas por litro.
O índice mais elevado foi registrado no mês de junho, quando a empresa, segundo o gerente de Produção, Agenor Zarpelon, ainda enfrentava o problema da proliferação de algas na Barragem do Iraí e, por isto, era obrigada a aumentar a dosagem de cloro no tratamento da água.
O presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, em entrevista coletiva, ontem, na Secretaria de Estado da Saúde, disse que as informações repassadas pela pesquisadora são imprecisas e só têm o objetivo de deixar a população alarmada. Teixeira acusou a pesquisadora de ter sido leviana ao deixar que as informações viessem a público, antes que o relatório do estudo fosse oficializado.
As análises encomendadas pela Secretaria de Saúde de Curitiba ao Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) também confirmam que as concentrações de trihalometanos estão dentro dos padrões exigidos. O mesmo foi verificado nas análises feitas pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai) a pedido da Secretaria de Estado da Saúde.
Diante da polêmica em torno da água consumida em Curitiba, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) decidiu reforçar o trabalho de vigilância sanitária e irá, durante todo o ano de 2002, monitorar a qualidade da água da Capital. Segundo Fernando Ferreira Carneiro, da Funasa, as amostras serão encaminhadas para análise no laboratório da Companhia Estadual de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo.
A Folha tentou ouvir a professora Cristina Braga, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.


