Companhia de Terras mantinha milícia
Para manter a ordem e combater a ação de posseiros em suas propriedades, a Companhia de Terras do Norte Paranaense possuía uma milícia armada particular. Durante a pesquisa para sua tese de doutorado, o professor Nelson Tomazi encontrou o registro de depoimentos colhidos pela pesquisadora Ana Yara Lopes, em trabalho apresentado na Universidade de São Paulo, que comprovam a ação de uma polícia interna nas terras da Companhia.
Segundo os registros da pesquisadora encontrados por Tomazi, funcionários do governo estadual que trabalhavam na região confirmam que a polícia particular da Companhia frustrava qualquer tipo de permanência de cablocos ou posseiros em suas terras.
Outro registro, feito pelo historiador Jorge Cernev, defensor da política de colonização da Companhia, confirma que os posseiros encontrados foram removidos. Cernev diz que esse saneamento promovido pela Companhia evitou maiores conflitos por disputa de terras na região.
Outros depoimentos históricos encontrados por Tomazi contestam essa ocupação pacífica afirmada por Cernev. No livro História de Cornélio Procópio, o pesquisador Átila Silveira Brasil relata os constantes tiroteios e confrontos entre posseiros e jagunços. Segundo ele, era comum encontrar-se mortos nas ruas da cidade durante o período de colonização.
O Código de Posturas do município de Londrina de 1953 revela como a violência fazia parte do cotidiano da população nas ruas das cidades do Norte Paranaense. Dispondo sobre uma série de condutas proibidas no perímetro urbano, o código especifica a proibição de barulho produzido por armas de fogo. Andar com arma de fogo era tão comum que a polícia se limitava a tentar conter arruaças, explica Tomazi, comparando a atmosfera local da época à das terras sem lei imortalizadas pelo filmes holywoodianos sobre a colonização do Oeste americano.
Nesse ambiente, os jagunços e grileiros contratados por fazendeiros terras, agiam com desenvoltura e lideravam verdadeiros exércitos clandestinos. O livro de Átila Silveira sobre Cornélio Procópio conta, por exemplo, que destacamentos da Polícia Militar de Curitiba foram mobilizados para tentar controlar os grupos armados formados pelos jagunços, que zombavam dos soldados e ameaçavam humilhá-los caso a PM tentasse interferir nos coflitos locais.





