Companheiros na busca por conhecimento
Conforme o psicólogo Carlos Eduardo de Souza Gonçalves, supervisor de ensino do Colégio Universitário, em Londrina, a teoria da psicologia sociocultural, do pensador russo Lev Vygotsky, explica bem como funciona a mediação da cultura no mundo atual. Para Vygotsky, todo ser humano aprende quando em contato com a realidade.
Ele coloca a sociedade entre o sujeito e o objeto, diferente de Piaget, que defendia o contato direto entre sujeito e objeto e nunca se dobrou sobre o papel da sociedade na trasmissão do conhecimento, diz o psicólogo.
Isso significa que, tradicionalmente, apenas os adultos, os mais velhos, podiam apresentar o mundo às crianças, porque os pequenos não eram capazes de produzir ensinamentos.
Numa época sem tv a cabo nem internet, a leitura era a única fonte de informação, e como a liguagem era mais rebuscada e abstrata, só os adultos, na escola e em casa, eram capazes de traduzir as informações para as crianças, lembra Gonçalves. Mas como o acesso à informação, hoje, é global, desde pequena a criança é um agente de conhecimento.
A teoria sociocultural, por ser interacionista, coloca a criança também como um mediador da cultura. Ao explicar a tarefa para um colega de classe, a criança já está sendo um mediador, descreve o psicólogo, que considera extremamente saudável os pais aprenderem com os filhos. Quando ensina algo para o pai, a criança se sente inserida na sociedade a que pertence, desenvolve os sentimentos de competência e autoestima, além de estar construindo e interpretando conhecimento por si só.
Para Gonçalves, tanto pais como professores não devem se sentir ofendidos, mas ser receptivos. Devem ser companheiros das crianças na busca de conhecimento, sugere o psicólogo, reforçando que o pai deve ter humildade para aprender e ser curioso. Ele deve estimular o filho a estudar mais, tornando-se um investigador da realidade, para que possam crescer juntos.
Computadores e outros aparelhos eletrônicos são apenas ferramentas, que precisam ser usadas de forma inteligente na busca por conhecimento. É impossível frear o avanço tecnológico, mas pais e escola devem educar as crianças para o bom uso da tecnologia. Também não adianta radicalizar e proibir, porque perde-se uma boa oportunidade de ensinar, argumenta o psicólogo. (M.G.)





