O Sindicato dos Rodoviários de Londrina acredita que a Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool em Porecatu, montou uma ‘‘armadilha’’ para neutralizar a ação dos sindicalistas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero. Segundo o diretor social do sindicato, Francisco Menezes, até que se prove o contrário ‘‘não há dúvidas sobre a honestidade’’ dos sindicalistas.
A usina, afirmou Menezes, está ‘‘ferida’’ desde a greve de janeiro, quando os 8 mil funcionários da empresa paralisaram os trabalhos reivindicando aumento salarial, garantias trabalhistas e pagamento de FGTS. ‘‘O caráter do Evanildo está acima de qualquer suspeita. Conhecemos ele desde 1972 e confiamos plenamente em seu trabalho’’, reafirmou. Menezes disse que confia na apuração da verdade pela Justiça.
O diretor administrativo da usina, Glauco Miguel Ferrigno, afirmou que ‘‘há anos os sindicalistas vinham pressionando e ameaçando com greve e dilapidação do patrimônio’’. Nos últimos dias, disse Ferrigno, os sindicalistas teriam ‘‘ameaçado queimar tanques de álcool, turbinas geradoras e caldeiras’’, que seriam o ‘‘coração da empresa’’. Segundo o diretor, os sindicalistas também ameaçaram queimar os canaviais. ‘‘Faziam ameaças a mim diretamente e a outros diretores’’, declarou Ferrigno. Ele acusou o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, de ter recebido R$ 100 mil em dinheiro no dia nove de junho. ‘‘Um outro diretor pagou a ele em dinheiro vivo’’, denunciou.
A prisão dos sindicalistas, segundo Ferrigno, ‘‘vai restabelecer a paz da região’’. Apenas ‘‘meia dúzia quer greve e maioria dos trabalhadores é pacífica’’. O diretor alegou que a usina viveu uma crise durante três anos, devido à baixa dos preços na venda do açúcar e do álcool, mas ‘‘agora a situação agora está melhorando’’.
A situação de Porecatu, que segundo declarações do prefeito Dionizio Souza (PT) na época da greve, seria ‘‘refém da usina’’, por depender economicamente de uma única fonte de geração de empregos, ‘‘é fruto de incapacidade administrativa’’. ‘‘Só é refém quem quer’’, considerou. De acordo com Ferrigno, a usina não impede que indústrias e outros empregadores se instalem na cidade. ‘‘Não existe essa força da usina.’’ (M.B.)

mockup