Na bagagem dos homens, na maioria jovens, que vieram para trabalhar nas propriedades rurais de posse dos colonizadores japoneses em Assaí, não eram preenchidas somente por roupas. Eles carregavam também a saudade das mulheres que ficaram no Nordeste.
Em muitas histórias ouvidas pela FOLHA, há um ponto em comum. Muitos dos retirantes se apressavam em ganhar os primeiros salários para buscar as companheiras. ''Quando ele (José Amaral) foi me buscar, não pensei duas vezes. O começo foi sofrido, pois eu o ajudava na lavoura e ainda fazia a comida no fogão a lenha todos os dias'', lembra Maria Teles Amaral que, ao mesmo tempo, era responsável pela criação dos 12 filhos. ''Mas não mudaria nada do que vivi e passei. Apesar das dificuldades, a vida em Assaí me trouxe muita coisa boa.''
Quem também não troca mais esta terra é Maria da Silva, esposa de Zequias. Ela conta que ao ver a produtividade nas lavouras do Paraná, idealizou o sonho de uma vida melhor junto com o marido. ''Mas para ganhar dinheiro foi preciso suar muito. Eu fazia a colheira de algodão praticamente todos os dias. A gente só não trabalhava quando chovia'', lembra.
Hoje, uma vez por ano, Maria e Zequias retornam a Pernambuco para visitar familiares e amigos, mas enquanto a data da viagem não chega, o casal de barro ''Maria Bonita e Lampião'' enfeita a estante da casa e preserva um pedaço do sertão na pequena Assaí dos nordestinos. (M.O.)

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