Compaixão por animais motiva vegetarianismo
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Quando a compaixão pelos animais fala mais alto, deixar de comer carne se transforma em questão ideológica. Para alguns adeptos do vegetarianismo, a decisão de eliminar esse tipo de alimento do cardápio não se relaciona apenas à preferência por legumes e verduras. Preocupados com o bem-estar dos animais, eles adotam a dieta vegetariana por não concordarem com o abate de bois, porcos, aves, peixes e outras espécies utilizadas na alimentação humana.
O artista plástico Rubens Pileggi Sá, 43 anos, parou de comer carne por não aprovar a matança dos animais. Vegetariano há 15 anos, ele tem uma lista de argumentos que legitimam a decisão. ''O organismo do ser humano é vegetariano como o dos chimpanzés, orangotangos e outros animais próximos a nossa raça'', acredita. Segundo Sá, o corpo humano mostra outras evidências de sua falta de estrutura para o consumo da carne.
''A sudorese dos homens se dá pela pele, enquanto o carnívores suam pela língua. Nossos dentes molares servem para mastigar sementes e frutas. Já os carnívoros têm os dentes todos caninos, que são pontiagudos. Comer carne é uma questão cultural, mas não natural'', defende. A opção pelo vegetarianismo é também ideológica. ''Em uma área onde cabem dez cabeças de gado, é possível plantar vegetais suficientes para alimentar uma cidade inteira. Se acabasse o consumo de carne, haveria alimentos para mais gente e menos florestas devastadas'', afirmou.
A economista e professora Andréa Cristina Cazarin, de 23 anos, se tornou vegetariana em 1997, aos 16 anos. A decisão foi tomada após uma visita ao site do Peta (People for the Ethical Treatment of Animals organização internacional que defende os direitos dos animais). ''Assisti vídeos sobre como os animais eram tratados até chegar à mesa e achei que era muita crueldade em nome da satisfação humana. Isso foi de madrugada. Desde então, nunca mais comi carne'', contou ela, que também não consome ovos. ''De origem animal, só utilizo leite e derivados'', disse.
A decisão implicou na necessidade de reeducação alimentar, já que, antes de se tornar vegetariana, o único legume consumido pela professora era o tomate. A mudança radical causou estranhamento nos familiares. ''No início, eles tentavam me convencer a voltar atrás'', recorda-se, acrescentando que, hoje, a opção é respeitada por todos. ''Como minha mãe passou a diversificar o cardápio, melhorou a alimentação de toda a família.''
No universo do rock, aliás, a dieta vegetariana é bastante difundida. O contabilista Alisson Andrello Couto, 29, deixou de comer carne há 11 anos por influência das guitarras. Ele conta que, desde a infância, não apreciava o alimento. Quando passou a se envolver com a ''cena'' grindcore e hardcore (cujas bandas se caracterizam pelo estilo pesado e agressivo e pela defesa dos direitos dos animais, entre outros temas), a opção pelo vegetarianismo assumiu conotação ideológica. ''Já não gostava de carne. Quando comecei a me informar sobre a crueldade desta indústria, parei de comer'', revelou.
Para saber mais:
www.vegetarianismo.com.br
www.peta.org
www.vegan.com


