Compagás apresenta relatório de impacto
Luciana Pombo
De Curitiba
A segurança da rede de distribuição de gás natural em Curitiba, Campo Largo e São José dos Pinhais está sendo questionada por movimentos ambientalistas. Segundo Rodolfo Ramina, secretário do Movimento Ecológico Amigos do Cambuí, os ambientalistas não são contra a utilização do gás natural, apenas querem que a distribuição seja feita de forma segura. A defesa existe principalmente porque as indústrias de cerâmica consomem muito óleo e são grandes poluidoras do ar. Com a utilização do gás, a poluição deixa de existir.
Mas o problema é que o trajeto da rede de distribuição de gás em Campo Largo está deixando a entidade não-governamental apreensiva. O gás da Refinaria de Araucária chega a Campo Largo pela PR-423 (trecho Araucária-Campo Largo) e passa por um trecho de 2,5 quilômetros pelo centro da cidade antes de chegar na Lorenzetti Porcelana Industrial do Paraná. A construção da rede de gás pelo centro de Campo Largo impõe riscos de acidentes perto de escolas e hospitais. Além disto, estimula a construção de indústrias no centro da cidade, o que poderá provocar desestruturação urbana, argumenta Ramina.
O presidente do Movimento Ecológico Projeto Ilha (Incentivo à Limpeza e Higiene Ambientalista), Miguel Jorge Szpikula, também critica a falta de segurança no traçado do gasoduto pela Região Metropolitana de Curitiba. O gasoduto traz grandes vantagens por ser uma fonte energética melhor do que as outras. Mas precisamos reivindicar uma melhor segurança para a população de nossa cidade, diz Szpikula. Entre as reivindicações citadas pelo movimento estão o reequipamento do grupamento do Corpo de Bombeiros, manutenção de programas de educação social e ambiental permanentes e doação de veículos para os ambientalistas. Vamos apresentar nossas propostas. Se elas não forem acolhidas, poderemos entrar com ações na Justiça para impedir a construção da rede em São José dos Pinhais, afirma.
Enquanto os ambientalistas querem segurança, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente está analisando os relatórios e estudos de impacto ambiental (EIA/Rima) dos trechos do sistema de interligação de redes de gás no Paraná. Em dezembro do ano passado, as obras de Campo Largo foram paralisadas por ordem do Ministério Público e só puderam ser reiniciadas este ano. A Compagás fez o relatório de impacto ambiental e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deu a autorização para que as obras continuassem. Cabe-nos agora verificar se as normas estabelecidas para a garantia da segurança estão sendo respeitadas, diz Sérgio Luiz Cordoni, promotor do meio ambiente.
Foram estabelecidas exigências mínimas para a construção da rede de distribuição de gás em Campo Largo, Curitiba, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Araucária e Palmeira. Entre elas, a implantação de uma sede do Corpo de Bombeiros nas cidades por onde passarem as redes de gás; plano de emergência aprovado pela Defesa Civil; telefones públicos em toda a extensão do trajeto; relatórios semestrais de inspeção do gasoduto; treinamento de pessoal nos hospitais para pronto atendimento em casos de emergência; pressão do gás reduzida na área urbana de sete para quatro quilogramas-força por centímetro quadrado; e realização de campanhas educativas de prevenção de riscos e divulgação de comportamentos em casos de emergência.
O diretor técnico comercial da Compagás, Augusto Riezemberg Neto, disse que não existem riscos de explosão na extensão do gasoduto. O nosso projeto segue normas internacionais e brasileiras. Não estamos trazendo uma novidade, as redes de distribuição de gás existem em todo o mundo, salienta. A Compagás já investiu R$ 12,7 milhões de reais na execução da primeira fase do projeto (47 quilômetros em Curitiba e Araucária e 12 quilômetros em Campo Largo) e deverá investir mais R$ 46,6 milhões na segunda fase (104 quilômetros em Campo Largo, Ponta Grossa e Palmeira e nos principais bairros de Curitiba).
Atualmente, o gasoduto já é responsável pela oferta de 40 mil metros cúbicos de gás por dia e deverá chegar a 600 mil até o final do ano que vem.





