Arapongas - Tristeza e comoção marcaram o velório das vítimas do acidente aéreo que matou cinco pessoas anteontem, em Paranavaí (Noroeste). Os corpos de Adriano Romera e sua mulher Siomar Groti Romera, o sobrinho deles João Romera Neto e o amigo da família, Rômulo César Fernandes, foram velados no pavilhão Expoara, em Arapongas (Norte), onde moravam. O município sedia também as matrizes das empresas do setor moveleiro pertencentes à família. O corpo do piloto da aeronave, Flávio Marcelo dos Santos, foi enviado ontem à Ourinhos (SP).
Milhares de pessoas passaram pelo pavilhão para prestar as últimas homenagens às vítimas. O prefeito em exercício do município, Jair Milani, decretou luto oficial por três dias. A prefeitura e o comércio encerrariam as atividades mais cedo, às 16 horas, para que as pessoas pudessem participar do cortejo fúnebre e do enterro, marcado para as 17 horas no Cemitério Municipal de Arapongas.
"Foi uma perda irreparável. Eles eram empresários de renome que começaram pequenos e hoje empregam mais de 2 mil pessoas", afirmou Milani. Adriano Romera era proprietário da fábrica de móveis Simbal. João Romera Neto era dono da rede de lojas Romera.
"É realmente muito triste. O senhor Adriano foi um dos fundadores do parque moveleiro de Arapongas, a empresa tem 40 anos", comentou Evandro Carlos Zanin, diretor do grupo Simbal. Segundo ele, o avião acidentado foi fretado para a viagem. Foi a primeira vez que os empresários viajavam com a empresa de Ourinhos. "Mas a família está encarando o acidente como uma fatalidade, até porque o senhor Adriano era muito experiente e com certeza sabia o que estava fazendo", disse.
O diretor informou que Adriano Romera pretendia aposentar-se, tendo deixado familiares e executivos preparados para a sucessão na empresa. "A fazenda (localizada em Sonora, no Mato Grosso, de onde eles voltavam) era o refúgio dele", lamenta.
"Trabalho há mais de 20 anos com o ‘seo’ Adriano. Meus quatro filhos também são empregados da firma. Tudo o que tenho devo a eles", afirmou a copeira Valmira Aguiar.
Desdobrando-se entre consolar a família e realizar pequenos favores, o motorista particular Paulo Girassol, que há 18 anos trabalhava para Adriano, afirmou que a notícia do acidente "foi um choque"."Eles eram excelentes patrões e muito queridos entre os funcionários. Todo mundo pedia conselhos sobre diversos assuntos ao ‘seo’ Adriano. Ele vai fazer muita falta".
Oficiais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa-5), da Aeronáutica, estiveram ontem em Paranavaí para fazer a perícia no monomotor, que caiu no pátio da Escola Municipal Ilda Campano Santini. O major da Aeronáutica Romoaldo de Farias disse que as informações são sigilosas e o laudo final será expedido por Brasília.
O major não falou sobre possíveis hipóteses da queda. Disse apenas que o laudo vai apontar as causas e levará o tempo necessário para ficar pronto. Depois disso, a documentação será disponibilizada para Polícia Civil.
Ele acredita que ainda hoje os destroços devem ser retirados do pátio da escola. Desde domingo, toda área da escola está isolada pela Polícia Militar e os 180 alunos estão com as aulas suspensas. A Secretaria Municipal de Educação informou que as atividades dos estudantes só voltarão ao normal, após a retirada logo após a retirada do avião. (Colaborou Giancarlo Franquini/Especial para a Folha)

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