Com muito choro e orações, foi enterrado na manhã de ontem o corpo de Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, 9 anos. Familiares, amigos e colegas de escola compareceram com flores e cartazes ao Cemitério Municipal Santa Cândida para se despedirem da menina, que foi encontrada morta dentro de uma mala na Rodoferroviária de Curitiba na última quarta-feira.
Além da tristeza pela perda de "Rachelzinha", como era chamada pela família, parentes esperam que o caso se encerre com a prisão dos responsáveis pela sua morte. "Queremos justiça, que não tenha mais vítimas", afirmou Patrícia Juliana Bianco, prima de Rachel. "Ela era uma menina dócil, alegre, brincalhona. Tudo de bom. Ela queria mostrar o prêmio de redação que ganhou", lembra Patrícia. A mãe da menina, Maria Cristina Lobo Oliveira Genofre, estava muito abalada e não quis conversar com a imprensa.
Comunicativa. Esta era a característica mais marcante da personalidade de Rachel, de acordo com seu pai, Michael Genofre. Porém, ele acredita que a habilidade da menina em se comunicar não facilitou seu desaparecimento. "Ela era desconfiada, só dava confiança para as pessoas que eram apresentadas pelos pais", disse. Genofre também afirmou que não acredita que o acesso dela à internet tenha causado a tragédia, pois, de acordo com ele, a menina só usava o computador acompanhada pelos pais. "Confiei na minha filha até o último segundo de vida dela."
O pai de Rachel ainda fez um apelo à comunidade, para quem tiver informações a respeito da morte de Rachel, entrar em contato com a polícia. Genofre pediu ainda que as pessoas evitem trotes, que atrapalham as investigações.
A Delegacia de Homicídios e o Serviço de Investigação de Criança Desaparecida (Sicride), responsáveis pelo caso, não vão disponibilizar informações sobre as investigações por determinação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que pediu prioridade no caso. A delegada do Sicride, Daniele Ceriguelli, afirmou que solicitou à família de Rachel o computador utilizado pela menina e já assistiu às fitas dos circuitos de segurança da Rodoferroviária, mas que as gravações "não ajudaram muito", pois são apenas da área externa do local.
No Instituto de Educação do Paraná, onde Rachel cursava a 4ª série do ensino fundamental, os alunos continuam abalados com a morte da menina. As aulas não foram suspensas, mas os alunos que não se sentiram à vontade de permanecer na escola e receberam autorização dos pais foram liberados.

Manifestação
Professores, funcionários e estudantes do Instituto de Educação realizam hoje uma passeata pelo centro de Curitiba em homenagem à Rachel. A manifestação sai às 10 horas, de frente da escola.
Rachel estava desaparecida desde a última segunda-feira, depois que saiu da escola onde estudava, no centro de Curitiba e seguia para a Praça Rui Barbosa. Ela fazia o trajeto para a casa de ônibus e desacompanhada. Seu corpo foi encontrado na madrugada de quarta-feira, dentro de uma mala deixada na Rodoferroviária de Curitiba.

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