Centenas de fiéis, aproximadamente 70 padres e diáconos e quatro bispos participaram ontem à tarde da missa de corpo presente celebrada pela alma do padre Carmel Bezzina, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, morto na última segunda-feira, vítima de atropelamento na Avenida Maringá. O enterro aconteceu no Cemitério São Pedro, poucos minutos depois das 18 horas. Dois irmãos e uma sobrinha de Bezzina, que chegaram ontem de manhã a Londrina, vindos da Ilha de Malta (Europa), também acompanharam as cerimônias.
  A igreja recém-concluída que padre Carmelo (como era mais conhecido) idealizou ficou repleta. Muitos tiveram que assistir à celebração – conduzida pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin – do lado de fora. Dom José Lanza, bispo auxiliar da diocese de Londrina; dom Valter Ebejer, da diocese de União da Vitória; e dom Vicente Costa, da diocese de Umuarama, auxiliaram na celebração. Ao final da missa, dom Albano informou aos fiéis que não poderá nomear novo padre para a paróquia, por enquanto. Ele anunciou ainda que quem assumirá interinamente, até o início do próximo ano, será o padre Luís Carlos Senegalia. ‘‘Só posso fazer novas nomeações em janeiro’’, justificou o arcebispo.
  Dom Albano, também lembrou, ao despedir-se do padre, da importância do trabalho dos malteses durante os anos que se seguiram à colonização do Norte do Paraná. Bezzina saiu de Malta em 1965 e em 1967 chegou à Paróquia de Tamarana (63 quilômetros ao sul de Londrina), onde trabalhou por 17 anos. Antes de vir para Londrina ele trabalharia nove anos em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Nos quatro últimos dias, fiéis dos dois municípios vieram em caravanas para Londrina prestar a última homenagem ao pároco.
  Um dos irmãos do padre, Francies Rosany Bezzina, falou aos fiéis antes que dom Valter encomendasse o corpo. Depois de agradecer, em nome da família, todo o apoio recebido pelos integrantes da paróquia, disse que o que estava vendo ali não era uma missa de funeral, mas sim de festa. Mais tarde, após o sepultamento, ele diria ter ficado admirado com tanto carinho. ‘‘Ele sempre nos falou de como foi bem recebido aqui, e agora pudemos ver com nossos próprios olhos’’, afirmou. Os dois irmãos e a sobrinha de Bezzina ficarão em Londrina até o próximo dia 11.
  O corpo do padre foi conduzido para fora da igreja – onde permaneceu desde o dia de sua morte, à espera dos familiares – ao som de ‘‘Canção da Amé-rica’’, que fala de amizade. Enquanto cantavam, os fiéis abanaram lenços brancos, em uma emocionante homenagem. Logo depois, vieram os aplausos.
  Muitos não conseguiram conter as lágrimas. Entre eles a secretária que era o braço direito do padre, Valéria Cristina Buranello, e o diácono da paróquia, José Adolfo Pierolli. ‘‘A missa do próximo domingo com certeza vai ser uma tristeza muito grande’’, disse o consultor Adalmir Garutti, um dos fiéis da paróquia.

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