Deve ser definida hoje a data de sepultamento do padre Carmel Bezzina, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora (conhecida como ''Dom Bosco''), que morreu atropelado anteontem na Avenida Maringá. Os dirigentes da paróquia esperam fazer novo contato hoje com a família que mora na Ilha de Malta, na Europa para saber quando os parentes do pároco devem chegar a Londrina e definirem juntos a melhor data para o enterro.
Segundo o diácono da paróquia, José Adolfo Pierolli, os familiares tiveram que se dirigir a Londres para conseguir os vistos para a viagem, o que está atrasando o embarque. ''O corpo foi preparado para aguardar até 10 dias, por isso podemos esperar até o final da semana, se for necessário'', informou Pierolli.
O corpo do padre está sendo velado na igreja que ele ajudou a construir, com missas de corpo presente a cada duas horas. Ontem à noite o bispo auxiliar da Arquidiocese de Londrina, dom José Lanza, realizou uma celebração. Hoje, às 7 horas, a missa será realizada pelo bispo dom Vicente, da Arquidiocese de Umuarama. Dom Vicente também nasceu na Ilha de Malta.
Na tarde de ontem, o padre Felipe Said, da Paróquia Nossa Senhora do Rocio, do Jardim Interlagos (Zona Leste) comandou a celebração, que teve a participação dos Arautos do Evangelho entoando músicas sacras. Entre os muitos fiéis, a emoção era visível. Homens, mulheres, jovens, crianças e idosos compareceram para prestar a última homenagem ao pároco, que antes de vir para Londrina trabalhou durante 17 anos em Tamarana e outros seis em Bela Vista do Paraíso.
''Fizemos a primeira comunhão com ele e não podíamos deixar de vir. Ele era uma pessoa maravilhosa, carismática, não há palavras para definir a sua bondade. Vai deixar muita saudade'', afirmou a diarista Dirce de Moura Soares, que foi à missa de ontem à tarde acompanhada da amiga Lúcia Soares Bacinello. Ambas passaram a infância em Tamarana, e definiram o padre como ''um pai que nos ensinou a rezar''. Lúcia lembra que moravam em um sítio, e Bezzina ia até lá rezar missa para uma pequena comunidade italiana.
Também quem já se mudou de paróquia voltou para rezar pelo padre. ''Eu frequentei esta igreja durante mais de 15 anos. Agora estou morando perto do Centro, mas nunca abandonei a paróquia'', disse a dona de casa Joana Malucelli. Segundo ela, o pároco era tinha um grande poder de comunicação e era muito importante para as famílias. ''Londrina perdeu um grande padre.''
A secretária da Paróquia, Valéria Cristina Buranello, que conviveu por mais de 10 anos com Bezzina, ontem mal conseguia conversar. Visivelmente abalada, ela afirmou que o padre sempre foi um exemplo de dedicação, honestidade e humildade. ''Ele me ensinou muito, sempre foi muito amoroso com as coisas da igreja.''
Valéria revelou que era tratada como uma filha pelo pároco. ''Às vezes discutíamos, como se fôssemos uma família. Eu sabia quando ele estava triste só de olhar para ele.''

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