COMOÇÃO - Corpo de padre é enterrado em Curitiba
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Diego Ribeiro<br> Equipe da FOLHA 
Curitiba - O padre Nilson Brasiliano Oliveira, 44 anos, de Agudos do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi enterrado ontem no Cemitério Municipal do Água Verde, na Capital. O pároco foi assassinado na última sexta-feira após ser vítima de uma emboscada articulada por jovens envolvidos com drogas. O velório do religioso, em Fazenda Rio Grande (RMC), onde permaneceu por sete anos, foi marcado pela emoção de milhares de fiéis, familiares e muitas crianças e adolescentes, principal alvo das campanhas realizadas pelo padre na Pastoral da Família.
Brasiliano mantinha um frequente trabalho de resgate e recuperação dos jovens envolvidos com o uso de drogas. A missa de corpo presente foi celebrada pelo arcebispo de Curitiba, Dom Moacir Vitti.
A bondade do padre, destacada por todos no velório, não contava com a traição de um rapaz, conhecido do religioso há dois anos. Segundo o irmão de Brasiliano, Paulo Brasiliano Oliveira, 50, o rapaz - preso suspeito de estar envolvido com o crime ao lado de mais três jovens - era usuário de drogas. ''Ele o conhecia. Há dois anos ele (o pároco) tentava tirá-lo das drogas'', contou Paulo, que procurava pelo irmão desde sexta-feira.
De acordo com o irmão do padre, os quatro acusados do latrocínio (roubo seguido de morte) - todos presos no domingo -, ligaram para Brasiliano na sexta-feira à tarde e disseram que sua chácara, em Araucária (RMC), estaria sendo assaltada. Quando chegaram ao local, eles teriam pego o padre e ameaçado-o para sacar dinheiro, cerca de R$ 400.
O delegado Rubens Recalcatti, titular de Araucária, confirma a versão e tem certeza que eles são os autores do crime. ''Através de investigações chegamos nele'', explicou o delegado, referindo-se ao jovem conhecido do pároco. O dinheiro não foi localizado pela polícia. O religioso foi esfaqueado pelo medo do reconhecimento, segundo a polícia. O corpo foi encontrado no domingo, na localidade de Tietê, no bairro Fazendinha, em Curitiba.
''Ele era bravo mas era legal. Era como um segundo pai para mim. Aprendi muitas coisas com ele, não tem como explicar. Era um amor de pessoa'', afirmou a coroinha da Paróquia São Gabriel, Josemara Oliveira dos Santos, 12, de Fazenda Rio Grande. O religioso fez seminário no município da Lapa, onde ingressou com 12 anos de idade e seguiu para Rio Negro, Fazenda Rio Grande, por sete anos, e Agudos do Sul, por quatro meses.


