Como tratar o olho preguiçoso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de março de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
O diagnóstico precoce facilita o tratamento da maioria das doenças. Este também é o caso da ambliopia, conhecida como olho preguiçoso e considerada uma das maiores causas de cegueira preveníveis em crianças. De acordo com o oftalmologista Luiz Fernando Cavalieri, de Londrina, o problema contece quando um dos olhos não desenvolve adequadamente a visão - a perda pode variar de leva a profunda.
São várias as causas da ambliopia. Uma das mais comuns é o estrabismo, conhecido também como olho torto. ''Neste caso a criança fixa a imagem com apenas um dos olhos de cada vez e normalmente desenvolve a melhor visão do olho que permanece reto por mais tempo, enquanto o outro fica 'preguiçoso'', explica.
O médico disse que diante de uma criança com ''olho torto'' é fundamental procurar um médico para esclarecer o problema. ''Pode ser só um estrabismo, mas pode também ser um tumor que fez com que o olho entortasse. A consulta com o especialista é inevitável'', destaca. Segundo ele, o tratamento adequado para estrabismo depende muito da atuação dos pais. ''Utiliza-se o tampão, que tem uma rejeição muito grande pelas crianças, por isso é preciso da colaboração dos pais.''
Apesar da indicação, o oftalmologista explica que com o uso do tampão o olho não vai ''desentortar'', mas a visão do olho vai se desenvolver. ''A correção do estrabismo pode ser feita através de óculos ou cirurgia, mas não adianta corrigir se o olho não estiver desenvolvido, porque ele volta a entortar'', observa.
Diferença acentuada
A diferença de grau acentuada entre os olhos também pode ser uma das situações que provocam o olho preguiçoso. Neste caso, a criança desenvolve mais a visão do olho com o menor grau, já que enxerga melhor com ele. Cavalieri destaca que, como a criança cresce enxergando bem com apenas um olho, não tem a percepção de que o outro olho não está bom. ''O mais grave é que, após o 'amadurecimento' do sistema nervoso que acontece por volta dos sete aos nove anos de idade, a ambliopia tende a não responder mais ao tratamento. E, com isso, condena a criança a enxergar bem com apenas um dos olhos por toda a vida.''
O médico afirma que não é raro encontrar um adulto no consultório que descobre que não enxerga de um olho. ''Infelizmente, nesses casos não há mais o que fazer'', diz.
Trabalho
Outra questão diretamente relacionada ao aparecimento do olho preguiçoso é a barreira visual. ''A catarata congênita e a queda acentuada da pálpebra (ptose) interferem diretamente nesta questão. Quando a luz não entra adequadamente no olho, a imagem não se forma, deixando este olho sem ''trabalho'', esclareceu. ''A queda acentuada de palpebra é identificada facilmente pelos pais e a catarata congênita é identificada no teste do olhinho. A maioria dos casos de ambliopia não está relacionada à catarata congênita, mas estas são as situações mais graves'', destaca Cavalieri.
Estimular o olho preguiçoso a ''trabalhar'' é o tratamento mais indicado para ambliopia. O objetivo dos médicos é corrigir o que causa a visão baixa neste olho. O oftalmologista explica que uma das maneiras mais comuns de atingir esta meta é usando um tampão no 'olho bom', obrigando o olho preguiçoso a enxergar. ''O tempo de uso varia de caso a caso; se a criança ficar por muito tempo com o tampão o olho bom pode piorar, por isso o acompanhamento médico é tão importante'', alerta.
Existem ainda outros métodos de tratamento, com o uso de óculos em que se coloca o grau errado no olho bom e o grau certo no olho mais fraco; com isso a criança é obrigada a enxergar com o olho ruim. ''Há ainda métodos mais invasivos, como o uso de colírios. Acredito que o tampão continue sendo a melhor opção'', define.


