Como Papai Noel, Adyr espalha alegria há 40 anos
O representante comercial Adyr Octávio Ferreira, 64 anos, começou a se vestir de Papai Noel para alegrar os filhos, na década de 50. Os vizinhos viram, gostaram e Ferreira começou a alegrar o Natal das crianças do seu bairro. Na época, ele morava na região central. Seu trabalho não tardou a ser reconhecido já que sempre dividiu sua vida com o palco, onde vestia a fantasia do palhaço Garrafão. Em 1963 chegou a ter um programa voltado para as crianças na emissora Coroados.
O Papai Noel passou a ser mais uma das personificações de Adyr que nunca abandonou as apresentações públicas com o Circo Show Riso, grupo de palhaços que hoje reúne os filhos e netos (20 pessoas). É um dom que aparece, todos da família têm. Desde pequenos meus filhos se mostraram atraídos pelo encantamento e fantasia das artes circenses. Isto é uma alegria para mim, confessa orgulhoso.
Ele admite que não fosse esta paixão coletiva da família pelo Natal e pelas crianças, o trabalho que desenvolve hoje não seria possível. Na época do Natal, os quatro filhos também atuam como Papai Noel em eventos e entregas particulares e beneficentes. O filho Sergio Ferreira, de 34 anos, é o Papai Noel oficial de Londrina há 3 anos.
Para Adyr, as atividades artísticas são principalmente uma fonte de prazer. O sustento da família, diz, sempre teve como fonte principal o seu trabalho como representante comercial. Desde o começo, meu objetivo nunca foi o dinheiro. A pessoa que trabalha pensando só no lucro nunca vai ser um bom Papai Noel, afirma. Das pessoas que prestam serviço como Papai Noel em Londrina, estima, apenas 20% fazem um bom trabalho.
Com um currículo de 40 anos como Papai Noel e clientes fixos há mais de 20 anos, ele tem a receita de como personificar o Bom Velhinho. É preciso saber incorporar o espírito do Natal e transmitir para a criança este sentimento. As crianças não são bobas, percebem quando a pessoa gosta do que faz e dão o retorno demonstrando carinho e reforçando sua fé na fantasia, comenta.
Para isto, diz, não basta estar vestido de vermelho; tem de ter muita sensibilidade, gostar de criança, ter muita paciência e, principalmente acreditar em Papai Noel. Eu acredito, e as crianças também, garante. As crianças não mudaram. Mudou apenas a forma delas acreditarem no Papai Noel. Hoje a maioria sabe que Papai Noel é uma fantasia, mas acredita na realidade do que o personagem representa, diz.
Para preservar a crença no Bom velhinho, Adyr Ferreira e sua família não poupam esforços. A roupa, por exemplo, foi elaborada com todo o cuidado para transmitir fielmente a imagem que as crianças esperam do Papai Noel. Não foi fácil, diz, descobrir os truques necessários para a barba ficar bonita, o cabelo não aparecer embaixo do capuz, etc. Junta, a família de Ferreira desenvolveu técnicas especiais para confeccionar a roupa.
A produção fica à cargo da Mamãe Noel, Dilea Barreto Ferreira, esposa de Ferreira que, desde o começo, faz todas as fantasias. Não é fácil. Todo ano tenho de fazer, pelo menos, 4 novas roupas completas de Papai Noel; mas vale a pena, diz. Os detalhes, como uma barba que permita ao Papai Noel conversar como se ela fosse verdadeira, a forma de falar, de caminhar e os gestos são considerados prioridades.
Até a forma arredondada e a barriga são cultivadas com cuidado e carinho durante todo o ano. Você tem de ver a felicidade da criança quando ela aperta a barriga da gente e percebe que não é enchimento, comenta.Josoé de CarvalhoFamília unidaAdyr Ferreira e a esposa Dilea: a família toda é muito apaixonada pelo Natal e pelas criançasCélia Baroni





