Começo do ano, reinício das atividades escolares e período em que muitos pais aproveitam para matricular os filhos nas mais diversas atividades e cursos extracurriculares. Aulas de balé, escolinha de futsal, curso de pintura, inglês ou informática, o desejo da maioria deles é estimular o desenvolvimento das crianças e a manutenção da saúde. Porém, qual é o limite? Como os pais devem agir para não sobrecarregar as crianças?
Com equilíbrio e considerando o que melhor para o bem-estar dos pequenos, responde a psicóloga Paula Solci Andrade, de Londrina. ''Os pais devem sempre considerar o porquê de matricularem os filhos nas atividades. Seria uma forma de preencher o tempo que não podem passar com elas, para aprimorar suas habilidades ou mesmo para capacitá-las para enfrentar o mercado de trabalho?'', analisa.
Segundo a psicóloga, a dosagem ideal entre as várias atividades realizadas pela criança ao longo do dia, seja na escola, com a família, em algum curso, praticando determinado esporte ou mesmo brincando com os colegas, é fundamental para o bom desenvolvimento dos pequenos e para sua formação como adultos.
''É claro que as atividades extracurriculares ou a prática de esportes são muito importantes para a formação dela, mas quando os pais separam um tempinho para que a criança passe com ela mesma ou com os amiguinhos, o pequeno tem a oportunidade de se conhecer, se organizar e se relacionar melhor com as outras pessoas. Inclusive curtir a própria companhia'', destaca.
Paula orienta que até os dois anos de idade o tempo da criança seja dedicado exclusivamente à ludicidade das brincadeiras com a família e os amiguinhos, sendo estimulada por meio cores, formas, sons etc. A partir dos dois e até os seis anos de idade, a psicóloga recomenda que a criança continue realizando atividades lúdicas que estimulem suas habilidades, que podem ser aulas de música, dança, pintura, circo etc.
''Dos seis anos até a pré-adolescência, a criança poderia então realizar, no máximo, duas atividades extracurriculares. Sendo que ambas sejam atividades diferentes da que ela já tenha na escola, mas que também complementem sua formação como ser humano'', complementa a especilista, deixando a ressalva de que a recomendação não seria uma regra, mas uma orientação geral, visto que é fundamental considerar caso a caso e a capacidade de cada criança.
Segundo ela, antes de iniciar as atividades, os pais devem levar a criança para fazer as aulas experimentais para que ela tenha certeza que tem aptidão e que a atividade seja sempre realizada em dias alternados para não enjoar. ''No mundo em que vivemos, a partir do momento que a criança nasce, ela já tem que começar a produzir, tem que já ser bom em algo, dar conta, mas não basta que os pais queiram, a criança precisa gostar do que faz'', acrescenta.
''Eles precisam considerar que a criança não é uma extensão deles, é preciso levar em consideração que ela é um outro ser humano, com desejos, gostos e interesses diferentes dos deles e isso precisa ser considerado ao escolher a atividade'', ressalta a psicóloga.
Paula explica que quando sobrecarregados, os pequenos podem também sofrer com ansiedade, estresse e até mesmo depressão. ''Eles geralmente apresentam irritação, desânimo, cansaço e dores de cabeça, o que pode ser um importante sinal para que os pais fiquem alertas.''

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