Como lidar com filhos rebeldes
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sábado, 23 de agosto de 1997
Luka Morais Da Redação 
Mário CésarIniciativa de sucessoEliane Gaeti e Carlos Fernandes com alunos da Escola Humberto Coutinho: projeto ajuda no relacionamento entre pais e filhosO que fazer quando os pais não sabem como lidar com filhos rebeldes, indisciplinados e acabam transferindo a responsabilidade da educação para a escola? Como ajudar os alunos que, carentes de atenção, desenvolvem nas salas de aula comportamentos inadequados, justamente para suprir as necessidades afetivas e emocionais?
Foi em busca de solução para esse tipo de problema, cada vez mais comum nas escolas, que um grupo formado por uma diretora, uma supervisora, uma psicóloga e um orientador espiritual decidiu criar o projeto Relacionamento Pais e Filhos. Implantada há três meses na escola Estadual Humberto Coutinho, no conjunto Guilherme Pires (zona leste), a iniciativa que vem despertando interesse de um número maior de pais, agora também está sendo levada à Escola Municipal Francisco Pereira de Almeida Junior, no mesmo bairro.
Diretora geral das duas escolas, Leliane Noivo conta que só foi possível implantar o projeto, que abrange pais, professores e alunos, por uma agradável coincidência: a supervisora da escola estadual é também psicóloga, trabalho fundamental para as atividades. Mas não bastou a coincidência. O trabalho que a supervisora Eliane Marçal Gaeti está desenvolvendo, como psicóloga, é voluntário. A rede de ensino público não possui no quadro de funcionários o profissional de psicologia.
Detectamos que os problemas apresentados pelos alunos em sala de aula surge nas famílias, que estão desestruturadas. São filhos de pais e mães que não têm tempo para eles e que tentam na escola suprir a necessidade de atenção, na forma de rebeldia e notas baixas, comenta Eliane Gaeti.
Ela destaca que os resultados do projeto que tenta ajudar pais e filhos só deve aparecer a longo prazo. Mas o interesse demonstrado por quase 60 pais que participam das reuniões quinzenais indica que o projeto já está dando bons resultados.
A psicóloga tem destacado durante os encontros com os pais o aspecto da qualidade do tempo gasto com os filhos. Ela cita o exemplo de um adolescente que vivia doente para chamar a atenção da mãe. E outro caso de uma mãe que trabalhava de manhã, à tarde e à noite. Chegava em casa e queria descansar mas o filho sempre cobrava dela que preparasse o lanche. O pedido do filho era motivo de reclamação da mãe. Depois de uma conversa, ela conseguiu entender que esse era o único tempo que tinha disponível para o filho, conta a psicóloga.
Durante os encontros quinzenais com os pais, o grupo que coordena o projeto se coloca à disposição para contatos pessoais. A diretora Leliane Noivo afirma que tem havido grande procura pelo trabalho. Casos que necessitam de ajuda psicológica estão sendo encaminhados para clínicas-escolas que prestam atendimento gratuito.
Outros, que requerem auxílio espiritual são atendidos pelo pastor Carlos Augusto Fernandes. Eu procurei a escola porque posso, através da orientação espiritual, ajudar as famílias, os alunos e a escola. A diretora observa: Apesar da ajuda de um pastor o trabalho não tem conotação religiosa.
Os professores dos cerca de 750 alunos da escola estadual e dos 450 da municipal, também atuam no projeto. São orientados pela psicóloga sobre a atenção diferenciada que devem dar aos alunos mais problemáticos. Passam a analisar a situação dos alunos sob um prisma diferente e a compreendê-los melhor.
É essa nova visão que, segundo a psicóloga Eliane Gaeti, pode representar uma ajuda para muitos pais que não estão conseguindo educar seus filhos, ter tempo para eles e, tampouco, enfrentar os problemas decorrentes disso. Nós lembramos os pais que quando eles deixam o filho sozinho, sem atenção, sem um abraço, sem qualidade no relacionamento, fatalmente, fora de casa, alguém estará suprindo estas necessidades. Quem será? De que forma?, ela alerta.
A diretora Leilane Noivo acredita no sucesso da iniciativa por sua abrangência. Procuramos dar às famílias e alunos o apoio social, psicológico, espiritual e pedagógico que necessitam, ela diz. Quando os pais participam da vida escolar, os filhos melhoram o rendimento na escola. A implantação do projeto Relacionamento Pais e Filhos na Escola Municipal Francisco Pereira de Almeida Junior aconteceu na semana passada. Da cerimônia participaram o secretário Municipal de Educação, José Dorival Neves e integrantes da Associação de Pais e Mestres (APM) do colégio, que apóiam a iniciativa.


