Como lidar com crianças que mentem
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terça-feira, 01 de maio de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Na fase dos 2 aos 7 anos e meio é normal que as crianças brinquem com a realidade, centrando-se no mundo do faz de conta, misturando a realidade com a fantasia. É neste período que as crianças começam a ver os resultados que as mentiras criam em suas vidas, e os pais devem ficar atentos a isso. A observação é da psicóloga e psicopedagoga Dorotéia Múrcia Souza, que salienta que o papel do adulto é trazer a criança para a realidade.
Nesta fase do faz de conta as crianças não têm noção do real. ''Eles se acham imortais e brincam gostoso com a fantasia'', aponta a psicóloga. Ela destaca que neste período a criança está trabalhando elementos cognitivos e a temporalidade. Ela explica que quando o pai fala que vai morrer de mentirinha, e anuncia que é um faz de conta, ensina essa divisão entre realidade e fantasia. Esta relação, segundo ela, é necessária para dar noção de temporalidade. ''O adulto é quem deve mediar isso, pois se a criança ficar absorta na fantasia pode desenvolver problemas sérios de distorção da realidade, pode ter delírios, paranoia'', explica.
Dorotéia alerta que em torno dos 7 anos a criança já deve ter uma boa noção de realidade, inclusive dos prejuízos que a mentira causa. ''Se a criança começa a mentir que não vai ter aula ou que já fez a tarefa e os pais não derem muita importância, lá na frente ela vai achar que pode tudo, que não precisa seguir regras e começa todo um desvio de personalidade'', destaca.
Psicopatia
Segundo a psicóloga, a mentira exacerbada desenvolve um traço de psicopatia no futuro. ''A criança deve saber o que é realidade e o que é mentira e as suas consequências'', orienta Dorotéia. Ela explica que uma mentira pode mudar a realidade e, consequentemente, prejudicar alguém. ''A criança precisa ser ensinada a falar a verdade para que amanhã, quando for adulta, saiba lidar com o mundo. Quando ensino uma criança a mentir também a ensino a fugir dos problemas, a não enfrentar a vida'', destaca.
Ela explica que se uma criança aprende que a mentira protege, vai se esquivar dos problemas utilizando este artifício, podendo não desenvolver o senso de responsabilidade e de confiança.
Dorotéia argumenta que se os pequenos estão em um ambiente em que as pessoas, de uma certa forma, reforçam a mentira, eles desenvolverão a capacidade de inventar histórias. Porém, mentir não é saudável. ''É uma perturbação emocional e começa a surgir como transtorno quando a criança passa a fazer isso voluntariamente e de forma maldosa para esconder coisas erradas'', explica. A psicóloga destaca que quando isso acontece a criança passa a traçar estratégias para mentir e começa um processo de adoecimento da personalidade.
Segundo Dorotéia, pode acontecer de uma criança - que esteja sofrendo assédio sexual ou sendo intimidada por um adulto - ser forçada a mentir. Mas nestes casos ela mente com medo da punição. Há também casos em que os pequenos são manipuladas pelos adultos. ''Em um caso grave de denúncia de assédio sexual, muitas vezes elas são induzidas pelos adultos. Eles perguntam tanto se fulano fez isso ou aquilo que as crianças acabam falando o que os adultos querem ouvir'', afirma. Nestes casos, ela afirma que a mente maliciosa é do adulto, pois a criança é relacional e reage aos comandos.
Frustrações
Em outras situações, há meninos e meninas que escondem a angústia e as frustrações com a mentira. ''São crianças que sofrem com a repressão, são cerceadas, impossibilitadas de exercer a expressão dos seus sentimentos e começam a mentir para se proteger'', explica. Dorotéia explica que isso faz com que os pequenos comecem a criar uma fantasia, possibilitando que escondam a sua personalidade mais facilmente. Nestes casos são os adultos quem devem rever o comportamento e a forma como se relacionam com a criança.
Já no caso daqueles que pegam o objeto de um colega furtivamente e depois dizem aos pais que ganharam de presente, é recomendável checar a veracidade da história. Caso a crinça tenha furtado o objeto, deve passar por uma intimidação e sentir vergonha para entender que o ato em si é um ilícito, caso contrário isso pode resultar em cleptomania no futuro.


