A expressão ''um estranho no ninho'' reflete bem a sensação que acomete uma criança quando ela é transferida para uma nova escola com o ano letivo em andamento. Isso pode acontecer por diferentes motivos, seja pela mudança de residência da família, por um novo emprego dos pais, pela comodidade de acesso que a nova escola proporciona ou pela não adaptação do aluno à escola anterior. Seja como for, a adaptação a um novo meio sempre exige muito esforço por parte da criança e também dos pais, professores e colegas.
Segundo a psicopedagoga Edy Simone del Grossi, o desconhecido sempre amedronta. ''A gente vive em uma zona de conforto e a primeira coisa afetada quando se sai dela é o estado emocional'', alerta. Ela explica que na escola anterior a criança já havia se adaptado à rotina de trabalho e quando há uma mudança de instituição surgem a ansiedade, desânimo, desinteresse, desmotivação, desorientação e preocupação.
''Tudo isso afeta a aprendizagem de um modo geral'', expõe. Com essa carga emotiva causada pela tensão surgem alterações fisiológicas como dores de cabeça, dores de barriga, calafrios e náusea.
O medo do desconhecido faz também com que a criança busque nos novos colegas elementos que sejam familiares. ''A primeira coisa que ela faz é buscar por alguém que remeta a algo que ela conheça, como um time de futebol em comum ou uma maneira de se vestir semelhante, mas neste estado emocional a adaptação não é fácil e por mais extrovertida que a criança seja, se o ambiente não for acolhedor pode gerar problemas para ela'', salienta.
Edy ressalta que além do documento de transferência, outras informações devem ser entregues à nova escola, como o histórico de vida escolar e familiar, o conteúdo que foi adquirido na escola anterior, um relatório do acompanhamento da saúde da criança, uma descrição das relações socioafetivas, de alimentação, dos hábitos de estudo, da dinâmica familiar, dos horários de estudo e com quem ela fica fora do horário de aula. ''A maioria das escolas e pais não fornecem essas informações, mas elas são importantes para que as crianças sejam inseridas no local certo para serem acolhidas naquele ambiente de maneira mais fácil'', explica.
Os pais também possuem um papel fundamental na escolha da nova escola. A psicopedagoga enaltece a importância de optar pela escola que possua características que mais se adaptem ao perfil do filho. ''Geralmente os pais escolhem a instituição que fica mais próxima de casa ou a que possui o acesso mais fácil, mas existem escolas com diferentes perfis'', explica Edy, enumerando que existem aquelas que enfatizam o conteúdo ministrado, outras que valorizam a dinâmica dos alunos. Há ainda as que são mais empreendedoras e as que se fundamentam na formação humana. ''É preciso saber também quais os valores que a família quer passar para o seu filho'', destaca.
A preparação para a mudança também deve ser levada em conta. ''Os pais devem sempre revelar a verdade sobre os motivos pelos quais a criança está sendo transferida de escola, relatar à criança sobre as diferenças que ela pode sentir no novo ambiente e conhecer junto à nova escola e mostrar as qualidades. ''Isso deve ser feito sempre, principalmente se for em uma escola pública, em que as vagas são determinadas pela Secretaria de Educação'', explica. A psicopedagoga contraindica a escolha de uma escola baseada unicamente pelo valor da mensalidade ou pela vaga disponível. ''O ideal é repassar as vantagens e condições para a criança se desenvolver na nova escola'', enfatiza.
Depois da mudança os pais devem dar o respaldo, buscando e levando a criança, de preferência mais cedo, e conversar bastante com ela, perguntando como foi o dia, qual a expectativa que ela tinha em relação à escola e se ela está sendo atendida. ''A segurança é a base para a boa adaptação e quanto menor a criança é preciso todo um trabalho anterior para ter uma resposta boa na escola'', salienta a psicopedagoga.
Edy destaca que é difícil ser acolhido pelos colegas se não houver uma apresentação prévia por parte dos professores. ''O ideal é inserir por intermédio de uma brincadeira, de alguma dinâmica, mas essa dinâmica depende do professor'', explica. Uma sugestão, declara a psicopedagoga, é que os próprios colegas realizem uma entrevista com o novo aluno. Os colegas da escola antiga também podem ajudar ao saber que a criança mudará de escola. ''Eles podem fazer uma lista de telefones, endereços e emails para demonstrar o quanto ele foi querido e mostrar que isso aconteceu pela personalidade que ele possui, dando suporte para que ganhe mais confiança na nova escola'', conclui.

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