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Como lidar com a reprovação no vestibular?

Especialistas dão dicas de como reagir aos sentimentos negativos e retomar os estudos com mais confiança

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Entre a comemoração dos aprovados no vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) há uma parcela de estudantes que não conseguiu conquistar sua vaga. Lidar com a frustração e mudar os planos nem sempre é simples, mas é possível acolher sentimentos e transformar a experiência em aprendizado para novas oportunidades. 


Como lidar com a reprovação no vestibular?
Roberto Custódio
 


“A reprovação por si só já é muito ruim, então as pessoas que estão ao redor não precisam ficar insistindo nesse assunto”, comenta Vanessa Ximenes, psicóloga clínica e docente do departamento de Psicologia da UEL. A professora comenta que apontar as falhas como repreensão não é o mais adequado e que o momento é de acolhimento das emoções.  A lista dos aprovados foi divulgada na segunda-feira (13). 




A etapa do vestibular é um momento de muita pressão em que pessoas do convívio do candidato estão atentos para seus resultados. “Os estudantes precisam entender que essa prova é importante, mas não define quem eles são. Existem coisas além disso, outros pilares da vida, e há toda uma caminhada pela frente”, acrescenta Ximenes. Ela aponta que é preciso considerar que a prova exige, além de conhecimento técnico, habilidades emocionais. “Autoconhecimento, amadurecimento pessoal, de saber lidar com o que está sentindo, como ansiedade, por exemplo”, afirma. Por isso indica acompanhamento psicológico no preparo para o vestibular. 


OPORTUNIDADE 
O sentimento de frustração não pode paralisar o aluno, conforme indica o coordenador do ensino médio do Marista Londrina, Nilson Castilho. Ele orienta olhar o espectro como um todo para que não se feche portas a partir de um resultado. “Ver se não existem mais oportunidades de outros vestibulares, de outros resultados que vêm pela frente, até mesmo por meio da nota do Enem, não olhar para a UEL como única universidade”, afirma.  


Para aqueles em que as oportunidades do ano foram esgotadas, indica a tomada de decisão com autoanálise. “Rever as ações e atitudes que o levaram a esse resultado e fazer possíveis mudanças na rotina. Talvez até entender se aquela escolha de curso era a que realmente ele desejava”, avalia.  


Para Castilho, esse é o momento de reflexão, com avaliação sobre o que foi e o que se deseja, para só então partir para o planejamento de um próximo vestibular. “A rotina de estudos só vem depois de uma autoanálise, depois que consigo interpretar o que aconteceu comigo, o que gerou a reprovação, se esse era o meu momento, se estava maduro o suficiente para enfrentar o vestibular e a partir disso criar uma rotina e planejamento para 2020”, revela. 


FAMÍLIA E AMIGOS 

“Aquele que não passou no vestibular já está vivendo as consequências de não ter passado, ninguém precisa relembrar, puxar e dizer o que deveria ter sido feito”, comenta Ximenes. Candidatos reprovados no vestibular precisam do apoio das pessoas próximas, mas isso deve ser feito com cuidado para não causar mais sofrimento. “A melhor postura dos pais e dos amigos é estar presente, deixar que a pessoa decida quando falar do assunto e, se ela não quiser falar, se pôr à disposição”, afirma. A indicação é deixar que a pessoa fale no momento que ela julgar melhor e o outro lado deve ouvir com respeito. 


A orientadora de estudos do Curso Prime de Londrina, Marcia Chiréia, aponta que acolher os sentimentos faz parte do processo do candidato, mas estende-se também aos pais e familiares. “Alguns aluns precisam de isolamento para viver o ‘luto’”, analisa. Respeitar o momento de tristeza não significa ignorar sinais de sofrimento além do normal. “A família tem que observar e, se for necessário, procurar ajuda de psicólogo”, recomenda. 


Experiência pode melhorar planejamento 

Não passar no vestibular também é aprendizado. Segundo orientadora de estudos do Curso Prime de Londrina, Marcia Chiréia, após o impacto inicial, é hora de aprender com os erros e planejar nova maratona de preparação. Segundo ela, o maior desafio é superar os próprios medos, inseguranças e fragilidades. “Na orientação de estudos, trabalhamos também o lado emocional. O aluno que consegue estabelecer uma rotina de estudos eficiente, com planejamento, certamente terá mais equilíbrio quando chegar o período das provas”, diz. 


Foco, autoconhecimento, motivação e desenvolvimento de técnicas de estudo fazem parte da etapa do planejamento. Da mesma forma, a especialista indica acompanhar o próprio progresso por meio de atividades e simulados para que sejam observados os resultados e assim analisar pontos fortes para identificar quais estudos podem ser amenizados e concentrar a atenção nos pontos fracos para melhor desempenho. 


Emirene Tavares de Lima, psicóloga do Colégio Maxi, aponta que após superar a reprovação e ter passado a tristeza, o momento é de avaliação com mais frieza sobre o resultado. “Pegar os pontos fortes e fracos, entender qual matéria deveria ter estudado mais e se perguntar: ‘por que não fui bem nessa matéria?’ para refletir sobre pontos positivos e negativos”, afirma. Para ela, é preciso olhar o contexto e entender a própria realidade, de ser um vestibular difícil, concorrido e não se comparar com outros alunos. 


A psicóloga trabalha duas formas de atuação da mentalidade (mindset) com os alunos. “É preciso fazer uma travessia do mindset fixo, quando olho para mim e me avalio por uma nota, ‘de que eu não passei, não sou capaz’, para o mindset de crescimento, que faz superar a gente mesmo, que nos faz melhorar por meio do esforço, disciplina e da autoavaliação se eu melhorei ou não naquilo que eu estava fraco”, aponta. 

 


 

Roda da vida dos estudantes

Emirene Tavares de Lima, psicóloga clínica e psicóloga do Colégio Maxi, afirma que além da atenção com atividades de aprendizagem é preciso ter equilíbrio na rotina dos estudos, considerando todos os aspectos da vida. Para isso, ela elabora um sistema de monitoramento semanal para que alunos tenham compreensão de como estão indo em cada ponto, veja quais são eles. 


Emoção 

Faça uma retrospectiva sobre o emocional de cada dia da semana. “Animado, feliz, persistente, paciente, veja se o quadro emocional ajudou e considere a questão da ansiedade”, ensina. Para ansiedade, indica respirar, meditar, ouvir coisas boas e desacelerar.  


Alimentação 

“O aluno precisa de energia para estudar, então tem que buscar saber o que pode comer para ter mais energia e o que vai deixá-lo mais atento em um período longo de estudos”, afirma. Alimentação regrada e orientada pode auxiliar na capacidade psíquica. 


Sono 

Dormir oito horas por noite é indicação dos especialistas. A psicóloga explica os motivos. “O sono faz guardar a memória de longo e curto prazo. O vestibular vai ser somente no final do ano e eu só vou conseguir reter a informação das aulas e dos estudos se tiver boa noite de sono”. 


Exercício físico 

Recomendado não somente para manter a saúde física, mas também mental. Segundo a psicóloga, é indicado para quem tem muita ansiedade. “Caminhada de meia hora libera serotonina, então você já se sente bem, descarrega todas as tensões de um dia puxado”, avalia. 


Hidratação 

Tomar água durante o dia também ajuda. A psicóloga orienta que cada um carregue sua garrafinha para auxiliar não só no aspecto físico como no intelectual também. 


Dica para ansiedade 

A psicóloga orienta o mindfulness para que os estudantes estejam mais atentos ao presente e não percam o foco. A técnica ajuda a controlar a ansiedade ao direcionar os pensamentos para o momento do agora, trazendo mais foco e disciplina aos estudos. 


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