A chamada ''Lei da Palmada'' causou polêmica ao ser aprovada pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado. Educadores e psicólogos questionam o poder do Estado sobre as famílias e a educação dos filhos. O assunto tem diversas nuances e precisa ser esgotado antes de qualquer sanção. ''Palmada é importante para a educação da criança e deve ser acompanhada de equilíbrio''. Esta é a opinião da psicóloga Vilmara Sanches e da psicopedagoga e terapeuta familiar Eunice Fernandes.
Elas defendem que a palmada seja usada como forma de impor limites às crianças desde que a pessoa que for ministrar a correção esteja em seu equilíbrio. ''As pessoas saudáveis emocionalmente são aquelas que foram educadas com limites, possuem um padrão de referência e conseguem administrar a palmada no momento certo, sem agressividade'', diz Eunice.
Conforme Vilmara, a ira faz parte da natureza das pessoas, mas um adulto ajustado emocionalmente tem autocontrole e sabe discernir quando está extrapolando. ''Este mundo moderno, imediatista faz com que todos vivam num nível de estresse anormal. Quando a ira excede a normalidade vem o perigo porque a pessoa deixa de raciocinar e cede ao impulso. Neste caso há risco de cometer uma agressão contra o filho'', afirma.
De acordo com elas, a educação das crianças está diretamente atrelada à colocação de limites, que por sua vez está ligada a determinadas punições. ''A questão é oferecer saúde mental para a família, porque aí vem o equilíbrio'', afirma a psicopedagoga. Para Vilmara, ''criminalizar a palmada'' é uma situação bastante complicada porque pode dar para a criança a autonomia de denunciar o pai. ''A lei dá para as crianças um poder que elas não têm condições de exercer. A segunda questão que nos preocupa é a interferência do Estado na educação das famílias'', destaca.
As profissionais questionaram se o Estado está preparado para lidar com a situação. ''O país não consegue suprir nem a necessidade básica do povo, questionamos como eles vão aferir esta situação. Como vai ser gerenciada a denúncia de uma vizinha destemperada, por exemplo?'' questiona Vilmara. Ela salieta que as intervenções públicas na área da saúde mental têm muito o que evoluir. ''Existe uma demanda muito grande e uma população que não sabe que está doente'', afirma, lembrando que nesta população estão possíveis pais que não têm controle sobre as formas de correção dos filhos. ''O Estado tem de ter muito cuidado na interferência com as famílias, mas tem de fazer alguma coisa também. Por isso é um assunto muito polêmico'', acrescenta.
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As psicólogas defendem que a palmada deve ser a última opção na hora de colocar limites nos filhos. Vilmara lembra que educar dá trabalho. ''Primeiro vem a conversa, depois a negociação. Essa etapa deve ser feita de forma sincera, firme e deve ser fechado um acordo. Como correção o pai deve tirar do filho algo que lhe dê prazer e levá-lo a entender a situação. Quando a conversa já está esgotada a palmada pode ser usada'', orienta.
Vilmara alerta, no entanto, que a palmada agregada a palavras duras, ao desequilibrio e à furia marca a alma e a mente. ''Aquela que deixa marcas no corpo também é péssima porque a criança fica exposta e tem vergonha'', destaca. Eunice e Vilmara afirmam que a palmada só é justificada se estiver dentro de um contexto. ''Tem de ter um motivo que pode ser explicado.'' Para Eunice, uma boa saída para os pais é buscar informações com leituras, participar de palestras e conversar com outros pais para trocar experiências.

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